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Forças da Líbia voltam a atirar em funeral e mortos podem passar de 200

De acordo com testemunhas, soldados das forças de segurança alvejaram a multidão

No Egito, manifestantes apoiam protestos contra governo de Moamer Kadhafi
No Egito, manifestantes apoiam protestos contra governo de Moamer Kadhafi Foto : Gianluigi Guercia / AFP / CP
Forças de segurança da Líbia voltaram a abrir fogo, neste domingo, contra manifestantes que seguiam para um funeral na cidade Benghazi, a segunda maior do país. Segundo um médico de um hospital de Benghazi, que falou sob condição de anonimato, pelo menos uma pessoa foi morta e outras 14 ficaram feridas, cinco delas gravemente. O número mortos na cidade desde o início da onda de protestos contra o regime do ditador Muamar Kadafi pode passar de 200.

De acordo com um dos feridos, forças leais a Kadafi atiraram quando os opositores que carregavam caixões de manifestantes mortos no dia anterior passaram em frente a um complexo militar. Segundo ele, os soldados deram tiros para o alto e, em seguida, alvejaram a multidão.

Não é a primeira vez que opositores do governo são atacados durante funerais desde que as manifestações começaram, há seis dias. No sábado, forças controladas por Kadafi atacaram manifestantes que enterravam as 35 pessoas mortas em um protesto realizado no dia anterior. O mesmo médico de Benghazi disse que ao menos 200 corpos já passaram pelo necrotério do hospital.

A repressão aos protestos na Líbia parece ser, até agora, a mais brutal na crise que atinge os países com regimes autocráticos no norte da África e Oriente Médio. As manifestações que começaram com a derrubada dos regimes da Tunísia e Egito se espalharam rapidamente pela região, atingindo também o Bahrein, no Golfo Pérsico, e o Iêmen, na Península Arábica - além da Líbia, Marrocos e Argélia. Até o Djibuti, no leste africano, e a China observaram algum tipo de repercussão da chamada "primavera árabe".

Além de Benghazi, onde se concentram os principais protestos, pelo menos outras seis cidades da Líbia sofrem com a repressão às manifestações. Um dos regimes mais longevos daqueles que estão descontentes com os mais de 40 anos de regime autoritário no país.

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