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França e Rússia acordam cooperação na luta contra o EI

Putin ordenou que navios russos no Mar Mediterrâneo entrem em contato com porta-aviões franceses

A França e a Rússia, dois países afetados por ataques jihadistas sangrentos, anunciaram nesta terça-feira uma cooperação inédita na luta contra o grupo Estado Islâmico na Síria. O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou nesta segunda-feira a seus navios de guerra mobilizados no Mar Mediterrâneo que entrem "em contato" com o porta-aviões Charles-de-Gaulle e que "cooperem com os aliados" franceses como parte da luta contra o terrorismo.

"Um destacamento naval francês, conduzido por um porta-aviões, chegará em breve em nossa área. É preciso estabelecer contato direto com os franceses e trabalhar com eles como aliados", declarou Putin durante uma reunião do Estado-Maior do exército russo consagrada às operações militares na Síria.

Neste contexto, a Presidência francesa anunciou que o chefe de Estado francês, François Hollande, vai se encontrar com o contraparte americano, Barack Obama no dia 24 de novembro em Washington, e com o presidente russo, Vladimir Putin, dois dias depois, em Moscou, como parte dos esforços contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e na guerra na Síria. O chefe de Estado francês havia anunciado na segunda-feira, perante o Parlamento reunido em Versalhes, que iria se reunir com seus colegas americano e russo "nos próximos dias", a fim de estabelecer "uma grande e única coalizão" contra o EI, que reivindicou os ataques sangrentos de sexta-feira em Paris.

Hollande falou por telefone nesta terça-feira com o presidente russo sobre a "coordenação dos esforços" na luta contra os jihadistas do EI, segundo o Palácio do Eliseu, sede do Executivo francês. O Kremlin indicou, por sua vez, que os dois líderes eram favoráveis a "uma coordenação mais estreita" entre os serviços secretos sobre a Síria.

Como a França, após os atentados que deixaram 129 mortos e mais de 300 feridos na sexta-feira na capital francesa, a Rússia decidiu intensificar seus ataques aéreos na Síria, em razão da queda de um avião russo no Egito. Moscou considerou pela primeira vez nesta terça que a queda da aeronave foi provocada pela explosão de uma bomba a bordo.

Neste sentido, bombardeiros estratégicos russos atingiram pela primeira vez posições do EI na Síria, onde Moscou realiza desde 30 de setembro uma campanha de ataques aéreos, segundo indicou o ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu. Até agora, a Rússia vinha utilizando na Síria apenas bombardeiros táticos e aeronaves de apoio em terra. O uso de bombardeiros estratégicos de longo alcance, mais poderosos e decolando da Rússia, é mais um passo na demonstração da força militar russa no país.

Os bombardeiros Tu-22 atingiram nesta manhã alvos do EI nas províncias de Raqa (nordeste) e Deir Ezzor (leste), enquanto Tu-160 e Tu-95MC bombardearam as províncias de Aleppo (noroeste) e Idleb (noroeste), segundo Shoigu.

De acordo com o chefe do Estado-Maior russo, o general Valery Gerasimov, a aviação de Moscou atingiu em 48 dias 4.111 alvos na Síria em um total de 2.299 incursões, destruindo 562 postos de comando, 64 acampamentos de treinamento e 54 oficinas de fabricação de munições e equipamento. "O número de incursões duplicou, permitindo a realização de ataques poderosos e precisos contra combatentes do EI em todo o território da Síria", garantiu o ministro da Defesa.

Os militares russos também anunciaram que vão reforçar o seu contingente aéreo na Síria para 37 aeronaves, incluindo oito Su-34 e 4 Su-27. O presidente François Hollande afirmou na segunda-feira que o porta-aviões Charles-de-Gaulle seria implantado no leste do Mediterrâneo para participar nas operações na Síria. O navio deixará Toulon, sul da França, na quinta-feira. No domingo à noite, a Força Aérea francesa bombardeou maciçamente Raqa, capital do grupo jihadista.