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França experimenta tratamento para prevenir contaminação por Aids

Metade dos 300 voluntários receberá um placebo e outra metade um antirretroviral oral

Foto : PARIS (AFP)
Cientistas franceses estão experimentando um tratamento para prevenir uma eventual contaminação pelo vírus da Aids em homens homossexuais soronegativos, anunciou nesta quarta-feira em Paris o coordenador do estudo, Jean-Michel Molina. A medicação deve ser tomada antes e depois das relações sexuais, segundo o cientistas, que destacou que "é preciso fazer tudo para diminuir o número de novas contaminações por HIV nas populações mais expostas".

A Agência Nacional de Pesquisas sobre a Aids (ANRS) reunirá 300 voluntários no primeiro teste de prevenção com medicamentos ou "profilaxia pré-exposição(PrEP) ao HIV" para os homens homossexuais soronegativos residentes na França. Metade receberá um placebo e outra metade um antirretroviral oral, o Truvada, que combina dois produtos (Tenofovir + FTC): dois comprimidos antes e durante o período de atividade sexual (o fim de semana, por exemplo), e um comprimido depois.

O único outro estudo de eficácia de um tratamento a ser tomado antes e depois das relações sexuais, por homens homossexuais soronegativos (teste Iprex), foi concentrado na América do Sul e Tailândia. Ao contrário do primeiro Iprex, no experimento francês, ANRS Ipergay, os medicamentos serão distribuídos a pedido do voluntário, para um período de atividade sexual, o que deve tornar mais fácil respeitar o tratamento.

O experimento ANRS Ipergay acontecerá em três áreas: primeiro Paris e Lyon, no centro da França, e depois em Montreal, no Canadá. Se a primeira etapa for considerada um sucesso, uma segunda fase terá 1.900 participantes (incluindo os 300 primeiros).

Mas os medicamentos não substituem a prevenção: todo os participantes terão a possibilidade de fazer exames frequentes para detectar infecções sexualmente transmissíveis, assim como terão acesso a conselhos e preservativos. 

Os tratamentos antirretrovirais (ARV) têm demonstrado, desde 1996, capacidade para reduzir a mortalidade e tratar os soropositivos, mas não curam os infectados. Desde 1994 permitem limitar a contaminação de mãe para filho durante a gravidez e o parto. Esses medicamentos são também utilizados como tratamento de urgência após uma relação não protegida que apresenta riscos.



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