O ex-primeiro-ministro François Fillon lidera o primeiro turno das primárias da oposição de direita francesa, à frente do ex-presidente Nicolas Sarkozy, segundo resultados parciais desta votação crucial para a eleição presidencial de 2017. François Fillon recolhia 43,5% dos votos e Nicolas Sarkozy apenas 22,1%, atrás de outro de seus ministros, Alain Juppé (27,6%), de acordo com os resultados de cerca de dois terços das urnas. Entre 3,9 e 4,3 milhões de pessoas votaram para decidir entre os sete candidatos, de acordo com uma projeção feita após o encerramento da votação.
Dada a sua impopularidade e divisões, a esquerda no poder corre o risco de ser eliminada no primeiro turno da eleição presidencial de abril de 2017. O duelo final poderá, portanto, ser disputado entre o candidato da direita e Marine Le Pen, líder da extrema-direita.
Em ascensão, a extrema-direita tem se aproveitado das preocupações dos franceses relativas à segurança após os ataques terroristas desde 2015 e à crise migratória. Mas, até agora, as pesquisas estimam que ela não será capaz de recolher os 50% dos votos necessários para ser eleita. O prefeito de Bordeaux (sudoeste), Alain Juppé, de 71 anos, era dado como favorito das primárias da direita. Ex-premiê de Jacques Chirac entre 1995 e 1997, ele adota uma linha ponderada, rejeitando correr atrás da Frente Nacional (FN) de Marine Le Pen.
Por outro lado, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, derrotado em 2012 pelo socialista François Hollande, optou por uma guinada à direita. Apresentando-se como o "defensor da maioria silenciosa", ele centrou seu discurso na autoridade, segurança, identidade, Islã. Este tom lhe valeu um forte apoio nas fileiras dos Republicanos (41% dos simpatizantes do partido segundo uma pesquisa recente), mas suas declarações sobre os "ancestrais gauleses" dos franceses e "a tirania das minorias" afastaram os simpatizantes da direita moderada e do centro.
Três debates televisivos entre os candidatos - seis homens e uma mulher - permitiram que um terceiro homem, Francois Fillon, que foi o primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy durante o seu mandato, ter uma ascensão meteórica nas pesquisas nos últimos dias. Católico, pai de cinco filhos, Fillon tem um projeto muito liberal no plano econômico e conservador em questões sociais. A última pesquisa, divulgada sexta-feira, deu-lhe uma ligeira vantagem, de 30% dos votos, contra 29% de seus dois principais rivais.
Para participar nesta primária, era preciso assinar uma carta comprometendo-se a partilhar os valores "da direita e do centro" e pagar dois euros. A mobilização importante foi, portanto, uma boa notícia para o partido, cujas finanças estão no fundo do poço.
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Ex-primeiro-ministro representará oposição mais moderada diante de Marine Le Pen