A França e outros países, como Andorra, Bélgica, Luxemburgo, Malta e San Marino, reconhecerão o Estado palestino nesta segunda-feira (22). A medida ocorre após uma onda de países ocidentais, incluindo Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal, endossarem a criação de um Estado palestino. O gesto, em grande parte simbólico, visa aumentar a pressão sobre Israel para uma solução de dois Estados, que prevê a convivência pacífica entre Israel e um Estado palestino independente.
O reconhecimento é fruto de um processo que permitiu a aprovação, por ampla maioria na Assembleia Geral da ONU, de um texto que apoia a criação de um futuro Estado palestino, excluindo o movimento islamista Hamas. O presidente francês, Emmanuel Macron, justificou a decisão, afirmando que o reconhecimento é uma forma de "isolar o Hamas" e oferecer uma "perspectiva política" aos palestinos, que, segundo ele, "querem uma nação, querem um Estado".
Ira de Israel e críticas dos EUA
A iniciativa foi duramente criticada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que reiterou que não haverá um Estado palestino. Ministros de extrema-direita de seu governo pediram a anexação da Cisjordânia, enquanto o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, encorajou os países a não se "sentirem intimidados pelo risco de represálias de Israel".
O governo dos Estados Unidos, principal aliado de Israel, expressou oposição ao processo, classificando a ação de seus aliados como "gestos teatrais". O Departamento de Estado americano defendeu a "diplomacia séria" como o único caminho para a paz. A Alemanha também manteve sua posição de que o reconhecimento só deve ocorrer após um processo de negociação.