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Franceses comparecem às urnas para 1º turno de eleição presidencial imprevisível

Votação ocorre até as 15h, no horário de Brasília, e quatro dos 11 candidatos têm chances de passar para 2º turno

Eleitor pega uma cédula em local de votação em Rennes, Oeste da França
Eleitor pega uma cédula em local de votação em Rennes, Oeste da França Foto : Damien Meyer / AFP / CP
Os franceses comparecem às urnas neste domingo sob intensa vigilância policial para o primeiro turno de uma eleição presidencial muito disputada e crucial para o futuro da União Europeia.  A votação começou às 8h locais (3h de Brasília) e acontece pela primeira vez sob estado de emergência, em um contexto de ameaça terrorista, três dias depois de um ataque em Paris. No total, 50 mil policiais e sete mil militares foram mobilizados para garantir a segurança em todo o território francês.

Pouco menos de duas horas antes do fim da votação, a participação era de 69,42%, um pouco abaixo do registrado no mesmo horário em 2012 (70,59%), mas ainda assim um dos índices mais elevados dos últimos 40 anos. Estas são as eleições mais imprevisíveis da história recente da França, com uma disputa muito acirrada entre quatro dos 11 candidatos e um elevado nível de indecisão dos votantes.

O centrista Emmanuel Macron e a líder de extrema-direita Marine Le Pen lideravam as pesquisas de intenção de voto publicadas na sexta-feira, mas o conservador François Fillon e o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon estavam muito próximos. A diferença entre eles é tão curta que está dentro da margem de erro, o que significa que qualquer um dos quatro pode passar ao segundo turno.

Marine Le Pen, líder da Frente Nacional (FN), de 48 anos, espera beneficiar-se da onda populista que resultou na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e o voto a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional", Le Pen defende a saída do euro e da UE, promessas que, caso cumpridas, poderiam representar um golpe fatal a um bloco já fragilizado pelo Brexit.

Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia do presidente François Hollande, fez uma campanha com um programa abertamente europeísta e liberal, com o desejo de reativar o motor do continente. O ex-executivo do setor bancário, praticamente desconhecido há apenas três anos e que nunca disputou uma eleição, pode se tornar, aos 39 anos, o presidente mais jovem da história da França.

Campanha repleta de sobressaltos

A reta final da campanha foi abalada por um atentado na emblemática avenida Champs Elysées de Paris, em um país traumatizado por uma onda de ataques jihadistas que deixaram mais de 230 mortos desde 2015. Apesar da dificuldade de medir o impacto do ataque, alguns analistas acreditam que poderia reduzir a brecha na intenção de voto entre os principais candidatos.

A campanha foi atípica. Com uma impopularidade recorde, Hollande não tentou disputar um novo mandato, algo nunca visto na França em mais de 60 anos. O primeiro-ministro Manuel Valls foi eliminado nas primárias do Partido Socialista por um candidato mais à esquerda, Benoît Hamon.

A campanha também foi marcada pelos problemas judiciais de vários candidatos, o que relegou ao segundo plano o debate das questões importantes, principalmente econômicas, em um país taxa de desemprego próxima de 10%. O conservador François Fillon perdeu a condição de favorito depois que a imprensa revelou que sua esposa, Penelope, e dois de seus cinco filhos se beneficiaram de empregos públicos supostamente fictícios, pelos quais receberam centenas de milhares de euros. Indiciado por desvio de recursos públicos e apropriação indébita de bens sociais, Fillon, que alega inocência, não abriu mão da candidatura, apesar das várias deserções ao seu redor.

Marine Le Pen também é objeto de uma investigação por supostos empregos fictícios no Parlamento Europeu, onde ocupa uma cadeira de eurodeputada, e por supostas irregularidades no financiamento de campanhas passadas. Ao contrário de Fillon, se nega a ser interrogada pela justiça, invocando sua imunidade.

A última surpresa veio da esquerda radical. Mélenchon, um ex-socialista que virou o símbolo do partido "França Insubmissa", subiu nas pesquisas e se aproximou de Fillon. Mélenchon, que já elogiou Hugo Chávez e Fidel Castro, afirmou que está disposto a sair da UE se o bloco não encerrar a política de austeridade.

A votação termina às 20h (15h de Brasília). Os dois candidatos com o maior número de votos disputarão o segundo turno em 7 de maio.