A Fundação Bill e Melinda Gates prometeu nesta quarta-feira alocar 100 milhões de dólares na luta contra o novo coronavírus que surgiu na China e já tirou a vida de quase 500 pessoas, infectando outras 20 mil. O financiamento ajudará a fortalecer os esforços de detecção, isolamento e tratamento; proteger populações em risco; e desenvolver vacinas, tratamentos e diagnósticos. "Organizações multilaterais, governos, setor privado e organizações filantrópicas devem trabalhar juntas para conter a epidemia, ajudar os países a proteger seus cidadãos mais vulneráveis e acelerar o desenvolvimento de ferramentas para controlar a epidemia", disse o diretor-geral da instituição, Mark Suzman.
“Nossa esperança é que esses recursos ajudem a catalisar uma resposta internacional rápida e eficaz. Essa resposta deve ser guiada pela ciência, não pelo medo, e deve basear-se nos passos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou até o momento”, completou. O novo financiamento inclui 10 milhões premetidos no final de janeiro.
Vinte milhões serão destinados a instituições como a OMS, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e seu equivalente na China, bem como a Comissão Nacional de Saúde do país asiático. A liberação de financiamento rápido e flexível tem como objetivo ajudar organizações multilaterais e autoridades nacionais de saúde pública a aumentar rapidamente suas capacidades de detecção de vírus e implementar análises de modelagem de doenças, para que possam direcionar recursos onde possam ter o maior impacto na prevenção da propagação de doenças.
Esse financiamento destina-se a ajudar as autoridades de saúde pública a cobrir o custo inicial de mão-de-obra e suprimentos, enquanto agências internacionais e governos nacionais apropriam os recursos necessários para financiar as operações em andamento. Outros 20 milhões serão destinados às autoridades de saúde pública em países da África Subsaariana e do Sudeste Asiático.
"Epidemias recentes, como a pandemia de influenza H1N1 de 2009, tiveram um impacto desproporcional nas populações que vivem em extrema pobreza, e a África Subsaariana e o Sul da Ásia juntos representam 85% dos estimados 629 milhões de pessoas em todo o mundo que vivem com menos de 1,90 dólar por dia. Muitas pessoas que vivem na África Subsaariana e no Sul da Ásia também têm acesso limitado a cuidados de saúde primários de qualidade, que é outro fator que aumenta seus riscos à saúde", diz um comunicado divulgado pela Fundação.
Desenvolvimento de vacinas, tratamentos e diagnósticos
A fundação doará 60 milhões de dólares para acelerar a descoberta, desenvolvimento e teste de vacinas, tratamentos e diagnósticos para o 2019-nCoV. "Se a transmissão continuar por vários meses ou mais, serão necessárias vacinas e terapêuticas seguras e eficazes para ajudar a sustentar abordagens de longo prazo para o controle de doenças e para prevenir doenças e mortes graves", lê-se no texto
A fundação usará seu financiamento de pesquisa e desenvolvimento para ajudar parceiros globais, como a Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias, identificar e priorizar as necessidades de pesquisa, abordar lacunas no cenário de pesquisa e desenvolvimento, incentivar o desenvolvimento de produtos por empresas de biotecnologia e farmacêutica e garantir que os produtos resultantes sejam seguros, eficaz e amplamente divulgado. Esse esforço incluirá o suporte já em andamento para parceiros de pesquisa do setor público e privado chinês, focados na descoberta, desenvolvimento e teste de vacinas, tratamentos e diagnósticos candidatos.