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Fundador do WikiLeaks ganha liberdade condicional

Julian Assange deve morar na mansão de um de seus colaboradores, no leste da Inglaterra

Julian Assange deve morar na mansão de um de seus colaboradores, no leste da Inglaterra
Julian Assange deve morar na mansão de um de seus colaboradores, no leste da Inglaterra Foto : Leon Neal / AFP / CP
O juiz Duncan Ouseley, da Alta Corte de Londres, concedeu liberdade condicional ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, após rejeitar o recurso apresentado pelos advogados que defendem os interesses da Suécia - que pede sua extradição para julgá-lo, em um processo de crimes sexuais. O australiano, de 39 anos, estava presente no momento do anúncio da decisão.

O juiz decidiu não acolher o apelo apresentado contra a decisão da corte baixa, anunciada no início da semana, de permitir que Assange aguardasse em liberdade o julgamento de seu processo de extradição para a Suécia. "A corte não abordará este caso partindo do princípio de que (Assange) é um fugitivo da justiça que está tentando evitar o interrogatório e o processo", argumentou o juiz. Além disso, indicou que adotará as rígidas condições que haviam sido estabelecidas pela corte baixa na instância anterior: o pagamento de uma fiança de 240 mil libras (374 mil dólares), a utilização de localizadores eletrônicos (provavelmente uma tornozeleira) e a definição de um toque de recolher.

Assange deve morar na mansão de um de seus colaboradores, Vaughan Smith, na cidade de Suffolk, leste da Inglaterra. O juiz fez apenas uma pequena modificação na lista de condições, acrescentando que o réu deve se apresentar regularmente a uma delegacia de polícia situada perto da residência. Smith é um ex-oficial do exército britânico que fundou o Frontline Club, onde o WikiLeaks baseia parte de suas operações.

Para que a decisão seja validada, a corte determinou que pelo menos 200 mil libras do valor da fiança sejam pagas em dinheiro até a noite desta quinta-feira. Um dos advogados de Assange, Mark Stephens, afirmou que conseguiria o dinheiro.

A Suécia quer que a Inglaterra extradite o fundador do WikiLeaks para interrogá-lo no processo que corre na justiça contra ele - acusação de estupro e abuso sexual por duas cidadãs suecas. O crime teria ocorrido em agosto em Estocolmo. Assange nega as acusações. Seus advogados denunciam o "timing" do processo, que ganhou força justamente no momento em que o WikiLeaks divulga centenas de milhares de documentos confidenciais de embaixadas dos Estados Unidos, e garantem que a ação tem motivações políticas.

A mãe de Julian Assange, Christine Assange, compareceu à audiência acompanhada de um grupo de pessoas que apoiam o filho, incluindo o jornalista John Pilger. A sessão durou uma hora e meia. "Agradeço todo o apoio recebido", disse Christine à imprensa, que lotou a entrada da corte. Um pequeno grupo desafiou a forte chuva que caía sobre Londres para se manifestar do lado de fora do tribunal, comemorando a notícia. "Expor crimes de guerra não é um crime", gritavam.