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Furacão Tomas inunda cidades e deixa seis mortos no Haiti

Situação pode agravar ainda mais a epidemia de cólera que assola o país

O furacão Tomas provocou a morte de seis pessoas e deixou várias cidades inundadas no Haiti
O furacão Tomas provocou a morte de seis pessoas e deixou várias cidades inundadas no Haiti Foto : Thony Belizaire / AFP / CP
O furacão Tomas, que castigou nesta sexta-feira o noroeste de Haiti, provocou a morte de seis pessoas e deixou várias cidades inundadas, o que pode agravar ainda mais a epidemia de cólera que grassa no país. "Em Leogane (oeste), cidade que ficou completamente alagada, duas pessoas morreram", disse à AFP o funcionário da Defesa Civil Philippe Joseph.

A cidade, situada 30 quilômetros a sudoeste de Porto Príncipe, teve 60% de suas construções destruídas pelo terremoto de 12 de janeiro, do qual o país ainda se recupera a duras penas. "Teremos mais vítimas devido às inundações e aos deslizamentos de terra", advertiu Joseph, destacando que as localidades mais afetadas estão sem acesso.

O presidente René Preval pediu à população que não baixe a guarda: "as fortes chuvas e rajadas de vento do furacão Tomas, que já provocaram perigosos deslizamentos de terra e fortes inundações, poderão agravar a epidemia de cólera".

Às 21h (19h de Brasília), o furacão estava a noroeste do Haiti e seguia para nordeste, em direção às Bahamas e Turcos e Caicos, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC). Os ventos da tormenta alcançaram 140 km/h nesta sexta-feira, em sua passagem pelo Haiti.

"O fato de que o Haiti tem um alto nível de desmatamento pode agravar ainda mais a situação, já que não há árvores para frear a lama", alertou a porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) Elisabeth Byrs. "As agências da ONU estão em pé de guerra, porque temem que pelo menos meio milhão de pessoas sejam afetadas" pelo furacão, principalmente a população que ficou desabrigada depois do terremoto de janeiro e vive em campos de refugiados, acrescentou.

Outra grande preocupação é a epidemia de cólera, que já matou 450 pessoas. Tanto a Ocha quanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) esperam um aumento das infecções de cólera, já que as chuvas aumentarão o volume de água contaminada. O alerta vermelho foi decretado em todo o território haitiano, e medidas foram tomadas para abrigar temporariamente 100 mil pessoas.

Na semana passada, o furacão Tomas deixou 14 mortos em sua passagem pela ilha caribenha de Santa Lúcia.
Em Cuba, a 100 quilômetros de distância do Haiti, o furacão causou problemas em Guantánamo, Granma e Santiago de Cuba.