• Leia mais notícias sobre a crise no Egito
Da viagem, ela lamenta a falta de apoio da embaixada brasileira. “Duas das minhas colegas de apartamento – uma libanesa e uma eslovaca – recebiam notícias e suporte de suas embaixadas, o que não ocorreu comigo e com a minha outra colega brasileira”, contou. As duas estrangeiras, conforme ela, foram levadas a seus respectivos países durante a crise pelas representações. Vanuta afirma que procurou informações na embaixada brasileira no Cairo, mas que foi mal atendida.
A assessoria de imprensa do Itamaraty explica que a representação atuou “no limite” no ápice da crise. O ministério alega que os funcionários egípcios deixaram de ir trabalhar durante a crise e que o expediente foi muito reduzido devido ao toque de recolher. Segundo a pasta, não teria havido nenhum pedido de auxílio em que a embaixada precisasse intervir.
O órgão afirmou que o ministério ajudou um grupo de 31 brasileiros a saírem do Egito e outro a se deslocar ao aeroporto, com apoio do adido militar, além de auxiliar na remarcação de passagens aéreas, sendo que alguns dos escritórios das empresas estiveram fechados no período.
A estimativa do Itamaraty é que haja 320 brasileiros residindo no Egito atualmente. Não há, contudo, uma ideia de quantos turistas do País estejam no local.
Gaúcha não acredita em democracia imediata no Egito
Vanuta ficou surpresa ao ouvir que Mubarak tinha deixado o poder enquanto ela viajava de volta para casa. “Mas ele tinha dito ontem (quinta-feira) que ficaria!”, questionou. A gaúcha, porém, não acredita em avanços imediatos na política do país: “O Egito não está preparado para uma democracia agora. Falta a figura de um líder preparado para assumir. O que existe são grupos isolados. Democracia é uma questão a ser trabalhada no Egito”.
Durante a crise, Vanuta não chegou a sofrer violência, mas ouviu relatos de conhecidos feridos pela polícia nos protestos centralizados na praça Tahrir. “Tive amigos apedrejados e atingidos por bombas de gás.” Em entrevista ao site do Correio do Povo na última semana, ela relatou que vários prédios eram zelados por moradores, armados com paus e pedras, para evitar a ação de vândalos.
Poucos dias depois a entrevista, segundo ela, a situação começou a voltar ao normal: “No último domingo, as empresas começaram a reabrir, mas ainda em horário reduzido, temendo a violência. Os bancos, por exemplo, ficavam abertos até cerca de 13h30min, mas mais para abastecimento”. A gaúcha recorda que precisou fazer estoque de alimentos quando foi no mercado para não passar fome. “Aquele dia foi bastante conturbado. Os egípcios brigavam uns com os outros por comida.”
Renúncia de Mubarak ocorreu nesta sexta-feira
A esperada queda de Hosni Mubarak após 30 anos de poder no Egito ocorreu nesta sexta-feira, após 18 dias de protestos no país e horas após o próprio Mubarak ir à televisão estatal egípcia afirmar que não deixaria a presidência. O anúncio histórico foi feito pouco antes das 14h (horário de Brasília) pelo vice-presidente Omar Suleiman – pouco antes, já havia a informação de que Mubarak e a família tinham deixado o Cairo. Uma junta militar assumiu o comando do país.