Praça Tahir é "palco de guerra"
Os novos choques entre a polícia e os manifestantes pelo fim do governo do Exército no Egito já deixaram pelo menos 24 mortos em três dias, de acordo com o Ministério do Interior. A manchete do jornal estatal Al-Akhbar chama os confrontos de “Guerra na Praça”, em referência à Tahir, no Cairo, palco dos embates e símbolo da derrubada do presidente Hosni Mubarak. Já o jornal liberal Wafd diz que o "Egito está em um vulcão prestes a entrar em erupção".
Os manifestantes protestam contra a junta militar do governo, que substituiu Mubarak, deposto em fevereiro. Os confrontos ameaçam prejudicar as primeiras eleições do país desde então, marcadas para o dia 28 de novembro.
Além do Cairo, foram registrados atritos na cidade mediterrânea de Alexandria. Centenas de pessoas ficaram feridas durante os protestos. A polícia e forças militares usam cassetetes, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os milhares de manifestantes na Praça Tahir. O ministro da Cultura, Emad Abu Ghazi, já havia renunciado em resposta do governo aos protestos.
Pressão por processo democrático
O chefe da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, pediu que todas as forças políticas pressionem pelo processo democrático. Ele as encorajou a "trabalhar pela calma e pelo processo político e avançar em direção ao processo de mudanças democráticas baseado nos princípios de liberdade, dignidade e justiça social sobre os quais a revolução de 25 de janeiro foi fundada".
Os primeiros confrontos eclodiram no sábado, um dia depois de uma multidão se reunir pacificamente contra os militares na praça, recomeçando no domingo e continuando durante a noite na segunda, de acordo testemunhas e com o que cenas de televisão mostraram.
O gabinete do Egito, que se reuniu durante várias horas no domingo em discussões sobre a crise, garantiu em um comunicado que as eleições parlamentares da próxima semana estão mantidas.