Luís Augusto, que é torcedor do Inter, estava de vermelho no desembarque deste domingo. "Estou vivo e estarei em Novo Hamburgo no dia 18 para ver o meu time estrear pelo Gauchão", afirmou.
Outra sobrevivente gaúcha é Neiva, que também relatou momentos de tensão durante o naufrágio do navio Costa Concordia. "Fizemos uma viagem muito planejada. Estávamos esperando o máximo desse passeio e foi bom até ontem. Aquilo (naufrágio) estragou a nossa viagem, mas éramos 11 e voltamos com 11 pessoas da família", relatou.
Estrondo repentino
Tão logo pisaram em solo gaúcho, no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, na manhã deste domingo, os seis integrantes da família Luz, que estavam à bordo do navio de cruzeiro Costa Concordia, que naufragou na costa italiana, se abraçaram. Entre relatos da tragédia e planos para o futuro, ficou a certeza unânime de que de a “barbeiragem” como a ocorrida no litoral italiano não pode mais se repetir.
“Foi tudo muito estranho, do nada sentimos um estrondo, o navio deu uma inclinada e toda a confusão começou. Histeria e medo tomarão conta da embarcação, mas não tenho medo de fazer uma viagem dessas novamente porque foi uma fatalidade, uma barbeiragem que não costuma e nem pode acontecer com tantos recursos tecnológicos existentes”, diz Maria da Glória Lopes Pacheco, de 60 anos ao reafirmar que o momento é de alegria e fé.
A uruguaia Adriana Doll Luz, de 55 anos, que vive há quatro décadas em Porto Alegre, lembra com exatidão a situação de agonia que toda a família passou. Com a mesma roupa que usava no momento do colisão, Adriana explica que saiu do navio rapidamente, mas com muito frio e em meio a desinformação. “Algumas pessoas respeitavam a regra de que crianças e idosos deveriam sair primeiro, mas a nem todos. Graças a Deus, para a maioria de tudo certo. Mas vivi as cenas traumáticas que só havia visto no filme Titanic. Não deu tempo para fazer quase nada, além de tentar se salvar”, revela, cansada após horas de voo entre Milão, São Paulo e, por fim, Porto Alegre.
Comandante preso
O naufrágio ocorreu no final da noite desse sábado, quando a embarcação seguia para a ilha de Giglio. O navio teria batido numa pedra e ficado preso no lado esquerdo, inclinando e fazendo com que a água entrasse. Com o acidente, pelo menos três pessoas morreram (dois franceses e um peruano). A embarcação tinha mais de 4 mil pessoas a bordo.
O comandante do navio Costa Concordia, Francesco Schettino, e o primeiro oficial, Ciro Ambrosio, foram detidos e interrogados por várias horas pelo promotor da província de Grosseto Francesco Verusio. De acordo com informações do jornal italiano Corriere Della Sera, eles serão acusados pelos homicídios e por abandonar quando ainda havia muitos passageiros a serem salvos.
Os investigadores afirmaram que o comandante deixou o navio por volta das 23h30min (horário local), quando a maioria dos passageiros e tripulantes aguardavam a evacuação. O navio foi esvaziado por volta das 3h da madrugada. Um vídeo mostra imagens do navio afundando.
Luciano Castro, um dos passageiros do "Costa Concordia", disse que "todos estavam jantando quando a luz apagou, houve um tranco e os pratos caíram da mesa". Quando a energia voltou, o comandante anunciou uma avaria no gerador elétrico e garantiu um conserto rápido, mas o barco começou a adernar.
A tripulação pediu que todos colocassem os coletes salva-vidas e logo veio a ordem para abandonar o navio, revelou Castro. Outra passageira, a jornalista Mara Parmegiani, descreveu "cenas de pânico dignas do Titanic, com empurrões entre os evacuados, gritos e choros.
Ela também denunciou a falta de preparação da tripulação. Segundo Mara, houve problemas quando os botes salva-vidas foram lançados ao mar e que alguns coletes salva-vidas não funcionaram. Unidades da Guarda Costeira, navios mercantes e ferrys garantiram a evacuação dos passageiros e tripulantes para a ilha de Giglio.
Assista ao vídeo do naufrágio
Com informações de Wagner Machado