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General da ditadura argentina condenado à prisão perpétua

Jorge Olivera Róvere era acusado de assassinar os parlamentares uruguaios Zelmar Michelini e Héctor Gutiérrez Ruiz, entre outros crimes

O general reformado Jorge Olivera Róvere foi condenado à prisão perpétua nesta sexta-feira por crimes de lesa humanidade cometidos durante a ditadura argentina (1976/83).

O militar era acusado de assassinar os parlamentares uruguaios Zelmar Michelini e Héctor Gutiérrez Ruiz, entre outros crimes. A decisão do Tribunal Oral Federal Número 5 foi transmitida "ao vivo" pela TV argentina.

O general Olivera Róvere, de 82 anos, era acusado de quatro homicídios e 107 sequestros e desaparecimentos, entre eles o do escritor argentino Haroldo Conti e dos cidadãos uruguaios Rosario Barredo e William Whitelaw, que apareceram mortos ao lado de Michelini e Gutiérrez Ruiz em Buenos Aires.

O militar foi subordinado ao general Guillermo Suárez Mason, hoje falecido, que comandou o I Corpo do Exército durante o regime militar.

Michelini, ex-senador e um dos fundadores da coalizão de esquerda Frente Ampla, que hoje governa o Uruguai, e Gutiérrez Ruiz, ex-presidente da Câmara de Deputados, foram sequestrados no dia 18 de maio de 1976, em Buenos Aires, e seus corpos encontrados três dias depois, dentro de um automóvel abandonado na periferia da capital argentina.

O julgamento trouxe à tona os crimes cometidos nos centros clandestinos de detenção "El Banco", "El Olimpo" e "Automotores Orletti", que estavam sob o comando de Olivera Róvere, então subcomandante do I Corpo do Exército e chefe da repressão na Capital Federal.