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Governo argentino descarta risco de corrida cambial

"Possuímos um nível de reservas mais que suficiente", disse ministro

O governo da Argentina descartou neste sábado a possibilidade de uma corrida cambial, anunciou o ministro do Interior, Florencio Randazzo. "De nenhuma maneira (existe esse risco). Possuímos um nível de reservas mais que suficiente", disse Randazzo à rádio Mitre, de Buenos Aires.

Alguns temores sobre o comportamento da demanda por dólares surgiram a partir da crise de duas semanas originada pela demissão por decreto do presidente do Banco Central, Martín Redrado, e sua substituição por Mercedes Marcó del Pont. De acordo com as definições da nova titular da autoridade monetária, Randazzo reafirmou que "a política do governo é um dólar administrado, sem sobressaltos, competitivo, basicamente, com a economia brasileira com a qual mais se complementa a argentina", destacou.

O governo argentino recorreu na sexta-feira à Corte Suprema para liberar reservas cambiais do Banco Central da República Argentina (BCRA), no valor de U$ 6,569 bilhões para a criação do chamado Fundo do Bicentenário, destinado ao pagamento de dívida pública.

O Procurador do Tesouro entrou com um recurso extraordinário solicitando à Câmara do Contencioso Administrativo que leve o caso ao máximo tribunal para que revogue as resoluções provisórias que suspenderam a execução do decreto de criação do Fundo. A polêmica decisão de utilizar reservas para o pagamento de obrigações da dívida será debatida pelo Congresso a partir de março, quando terminar o recesso de verão, mas o governo pretende acelerar os prazos por via judicial.

De qualquer forma, como o primeiro pagamento da dívida deverá ser efetuado dentro de seis meses, tudo indica que o tema será tratado e resolvido pelo Congresso antes que o Poder Executivo possa pôr as mãos nesses fundos. A resistência ao uso das reservas – que superam os US$ 48 bilhões – marcou a gestão do ex-titular do BCRA, Martín Redrado, junto com legisladores da oposição, que denunciaram o caso à Justiça e exigiram seu exame no Congreso. O governo argentino deve enfrentar este ano pagamentos da dívida da ordem de US$ 13 bilhões.