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Governo argentino diz que marcha pelo promotor morto teve fins políticos

Alberto Nisman foi encontrado morto há um mês, em Buenos Aires

Governo argentino diz que marcha pelo promotor morto teve fins políticos
Governo argentino diz que marcha pelo promotor morto teve fins políticos Foto : Str / Telam / AFP / CP
O governo argentino afirmou nesta quinta-feira que a passeata silenciosa realizada nessa quarta pela morte do promotor Alberto Nisman, que acusou a presidente Cristina Kirchner de acobertar terroristas iranianos em um atentado antissemita em 1994 teve caráter político e opositor. "Temos que identificar que, por trás de cada uma destas manifestações, existe um interesse político", afirmou o chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, em sua habitual coletiva de imprensa na Casa do Governo.

Capitanich ainda considerou que "a mobilização deve ser feita para que o Poder Judiciário seja autônomo das corporações, para que nenhum juiz decida conforme os interesses corporativos". "Este fato (a morte do promotor) deve ser esclarecido definitivamente porque o povo argentino precisa da verdade e são os promotores e os juízes que em definitivo têm a verdade em suas mãos", enfatizou.

"A nós parece muito importante reconhecer que o povo tem todo o direito de mobilizar-se, mas não compartilhamos dos motivos. Houve cartazes contra o governo, por isso foi identificada como uma marcha de oposição", afirmou ainda.

O secretário da presidente, Aníbal Fernández, concordou em destacar que não se tratou "de uma manifestação para prestar homenagem a ninguém". “Há pessoas que entenderam que a melhor maneira de levar a uma desestabilização (do governo) era fazer esse tipo de coisa", sentenciou.

Mais de 400 mil pessoas acompanharam a marcha em Buenos Aires na quarta-feira, convocada para homenagear o promotor Alberto Nisman, morto misteriosamente há um mês, informou a polícia da capital, que é governada por Mauricio Macri, de oposição e candidato da direita às eleições de 25 de outubro no país. Já a Polícia Federal, que responde ao governo, calculou o multidão da marcha em 50 mil pessoas.

Batizada nas redes sociais de "a marcha dos guarda-chuvas", pela forte chuva que caía, a grande passeata transcorreu sem incidentes e em tranquilidade, no trajeto que separa o Congresso de Buenos Aires e a Praça de Maio, em frente à sede do governo. O ato foi convocado por seis promotores opositores ao governo de Cristina Kirchner.

Em ordem, respeitando o lema do silêncio, casais e, sobretudo idosos, soltaram a voz apenas para pedir justiça, ou murmurar trechos do hino nacional. Em outras cidades argentinas, como Santa Fé e Mar del Plata, centenas de cidadãos também aplaudiram nas praças em solidariedade. O ato teve réplicas também em frente às embaixadas argentinas em Brasil, Espanha, Itália, França, Austrália, Israel, Chile e Uruguai.