Mundo

Governo britânico considera “inviável” pagar indenizações por seu papel na escravidão

Possibilidade de o Reino Unido pedir desculpas foi criticada pela líder da oposição conservadora Kemi Badenoch

Governo britânico considera “inviável” pagar indenizações por seu papel na escravidão
Governo britânico considera “inviável” pagar indenizações por seu papel na escravidão Foto : Isabel Infantes / AFP

O ministro britânico das Relações Exteriores, Ed Miliband, considerou "inviável" que o Reino Unido pague indenizações financeiras pelo seu papel na escravidão, como reivindicam algumas de suas ex-colônias.

Nos últimos dias, o primeiro-ministro trabalhista, Andy Burnham, abriu a porta para que o Reino Unido apresente desculpas oficiais por seu papel no tráfico transatlântico de escravizados, mas, assim como seus antecessores, rejeitou qualquer tipo de indenização financeira.

Burnham anunciou a abertura de um "diálogo" com os países da Commonwealth por ocasião da reunião de cúpula de líderes da organização, que aconteceu nos últimos dias em Antígua e Barbuda.

Ed Miliband, que também participou da cúpula, sugeriu que o diálogo poderia resultar na formulação de desculpas durante o encontro de cúpula do G20, marcado para o fim de novembro de 2027 em Manchester, sob presidência britânica.

"Eu disse que estamos dispostos a afirmar que nos mostramos abertos a pedir desculpas, mas não vamos mudar nossa posição sobre a questão das reparações", ressaltou o chefe da diplomacia britânica. "Não é a resposta correta. Não é viável. Do nosso ponto de vista, é algo impossível de ser implementado", acrescentou.

A possibilidade de o Reino Unido pedir desculpas foi criticada pela líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, que declarou no domingo ao canal Sky News que "isso não faria nada além de abrir a porta a reivindicações financeiras".

Por sua vez, o presidente de Gana, John Dramani Mahama, elogiou a abordagem de Andy Burnham e afirmou na terça-feira que constitui "um primeiro passo para continuar trabalhando e ver como podemos deixar para trás a questão do tráfico transatlântico de escravizados e do colonialismo".

Na terça-feira, ao inaugurar a reunião de cúpula, o rei Charles III, na qualidade de chefe da Commonwealth, expressou seu "horror" diante da escravidão, que chamou de uma "injustiça monstruosa".

Charles III, no entanto, também considerou que a Marinha Real britânica desempenhou um papel "importante" no fim do tráfico transatlântico de escravizados, ao interceptar os navios negreiros.

Embora a escravidão tenha sido abolida em 1833 pelo Parlamento britânico na maior parte do Império, o comércio e o transporte de escravizados já haviam sido proibidos em 1807. O rei conclui nesta quarta-feira uma viagem de nove dias pelo Caribe e Guiana.