O ministro britânico das Relações Exteriores, Ed Miliband, considerou "inviável" que o Reino Unido pague indenizações financeiras pelo seu papel na escravidão, como reivindicam algumas de suas ex-colônias.
Nos últimos dias, o primeiro-ministro trabalhista, Andy Burnham, abriu a porta para que o Reino Unido apresente desculpas oficiais por seu papel no tráfico transatlântico de escravizados, mas, assim como seus antecessores, rejeitou qualquer tipo de indenização financeira.
Burnham anunciou a abertura de um "diálogo" com os países da Commonwealth por ocasião da reunião de cúpula de líderes da organização, que aconteceu nos últimos dias em Antígua e Barbuda.
Ed Miliband, que também participou da cúpula, sugeriu que o diálogo poderia resultar na formulação de desculpas durante o encontro de cúpula do G20, marcado para o fim de novembro de 2027 em Manchester, sob presidência britânica.
"Eu disse que estamos dispostos a afirmar que nos mostramos abertos a pedir desculpas, mas não vamos mudar nossa posição sobre a questão das reparações", ressaltou o chefe da diplomacia britânica. "Não é a resposta correta. Não é viável. Do nosso ponto de vista, é algo impossível de ser implementado", acrescentou.
A possibilidade de o Reino Unido pedir desculpas foi criticada pela líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, que declarou no domingo ao canal Sky News que "isso não faria nada além de abrir a porta a reivindicações financeiras".
Por sua vez, o presidente de Gana, John Dramani Mahama, elogiou a abordagem de Andy Burnham e afirmou na terça-feira que constitui "um primeiro passo para continuar trabalhando e ver como podemos deixar para trás a questão do tráfico transatlântico de escravizados e do colonialismo".
Na terça-feira, ao inaugurar a reunião de cúpula, o rei Charles III, na qualidade de chefe da Commonwealth, expressou seu "horror" diante da escravidão, que chamou de uma "injustiça monstruosa".
Charles III, no entanto, também considerou que a Marinha Real britânica desempenhou um papel "importante" no fim do tráfico transatlântico de escravizados, ao interceptar os navios negreiros.
Embora a escravidão tenha sido abolida em 1833 pelo Parlamento britânico na maior parte do Império, o comércio e o transporte de escravizados já haviam sido proibidos em 1807. O rei conclui nesta quarta-feira uma viagem de nove dias pelo Caribe e Guiana.