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Governo catalão organizará consulta alternativa sobre independência

Decisão ocorre diante da impossibilidade de realizar referendo de maneira legal

Governo catalão organizará consulta alternativa sobre independência
Governo catalão organizará consulta alternativa sobre independência Foto : Josep Lago / AFP / CP
O governo da Catalunha organizará uma consulta alternativa em 9 de novembro, ao invés da inicialmente prevista,
diante da impossibilidade de realizar o referendo de maneira legal, em consequência da oposição ferrenha de Madri, anunciou o presidente regional, Artur Mas, em Barcelona. "Convocaremos as pessoas no dia 9 de novembro e, apesar de termos que fazer de forma diferente a como tínhamos previsto, também teremos locais abertos, urnas, cédulas", afirmou Mas. O presidente regional catalão disse ainda que seu governo vai preparar toda a logística necessária para que os cidadãos possam votar.

Após uma longa reunião nessa segunda-feira dos quatro partidos catalães que favoráveis ao referendo, os participantes anunciaram o fim do consenso sobre como responder ao governo da Espanha: alguns defenderam a desobediência civil e outros pediram o respeito à legalidade.

Ao contrário do governo britânico, que autorizou o referendo de 18 de setembro dos escoceses sobre a independência, que terminou com a vitória do "não", o governo espanhol de Mariano Rajoy não aceita a consulta catalã, que chama de inconstitucional por considerar que abala a soberania nacional.

Diante da situação, Mas voltou a propor nesta terça-feira a convocação de eleições regionais com caráter plebiscitário, com um "programa comum e uma lista comum" dos partidos independentistas. "Este é o instrumento final para fazer a consulta", afirmou, antes de reconhecer que, após a ruptura do consenso, o projeto "está mais verde que maduro, pelo que constatei até agora".

Grande região do nordeste da Espanha com 7,5 milhões de habitantes e 20% da riqueza do país, a Catalunha registra um crescimento do sentimento independentista nos últimos anos, estimulado pela crise econômica que agravou as tensões políticas com Madri.

Mais cedo, o primeiro-ministro Mariano Rajoy afirmou que a renúncia ao referendo era uma "excelente notícia".
"Cumprir a lei é obrigação de todos", disse.

Diante dos crescentes obstáculos legais desde que, em 29 de setembro, o Tribunal Constitucional espanhol aceitou dois recursos do governo de Rajoy contra a consulta independentista, o governo regional catalão anunciou nessa segunda-feira à noite a suspensão do referendo.

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