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Governo da Bolívia anuncia retomada de reduto de Evo Morales

Presidente Rodrigo Paz visa recuperar Chapare, área sob controle de organizações sociais onde Evo Morales impede ordem de prisão

De acordo com o ex-presidente, o atual governo de Rodrigo Paz , "com toda esta política neoliberal e estado colonial, está forçando para que haja uma guerra civil"
De acordo com o ex-presidente, o atual governo de Rodrigo Paz , "com toda esta política neoliberal e estado colonial, está forçando para que haja uma guerra civil" Foto : MARVIN RECINOS / AFP

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, de centro-direita, anunciou que vai recuperar territórios sob controle de organizações sociais, como a região do Chapare, reduto político do ex-presidente Evo Morales, onde os apoiadores do líder esquerdista impedem o cumprimento de uma ordem de prisão contra ele.

Paz acaba de superar a crise política mais grave de seu curto governo, iniciado em novembro passado. Durante sete semanas, indígenas, operários e cocaleiros protestaram e bloquearam rodovias para exigir sua renúncia pela crise econômica.

"Vamos recuperar cada território que hoje em dia não nos pertence", declarou Paz nesta quarta-feira (24), durante um aniversário da Polícia. "Alguns acreditam que não é território boliviano, que é território de algumas organizações", acrescentou, em alusão à região cocaleira do Chapare, esclareceu posteriormente a Presidência.

Ele assegurou, ainda, que "tudo voltará para a pátria". "Aqui não há donos, nem de territórios, nem de setores", afirmou.

No sábado, as autoridades decretaram um estado de exceção que permitiu a suspensão dos bloqueios. O governo acusou o ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019) de promover os protestos e financiá-los com recursos do narcotráfico, mas sem apresentar provas.

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O ex-chefe de Estado se encontra no povoado cocaleiro de Lauca Eñe, no centro do país, desde o fim de 2024, quando a justiça emitiu uma ordem de captura contra ele por um caso de tráfico de menor que ele nega.

Na terça-feira, Evo Morales antecipou, em entrevista à AFP, que se o governo intervier na região, "aqui vai haver problemas, estamos bem organizados". Ele assegurou, ainda, que seus apoiadores "vão se defender".

O ex-presidente afirma que o atual governo, "com toda esta política neoliberal e estado colonial, está forçando para que haja uma guerra civil". O Executivo não antecipou uma data para uma eventual intervenção no Chapare.