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Governo da Líbia cria comissão para investigar morte de Kadhafi

Corpos do ditador e do filho ficaram expostos num frigorífico em Misrata

Corpos do ditador e do filho ficaram expostos num frigorífico em Misrata
Corpos do ditador e do filho ficaram expostos num frigorífico em Misrata Foto : Philippe Desmazes / AFP / CP
O líder interino da Líbia, Mustafa Abdul-Jalil, disse nesta segunda-feira que ordenou a realização de uma investigação sobre a morte de Muammar Kadhafi, em resposta à forte pressão internacional. O objetivo é saber se o deposto líder foi morto por uma bala, disparada contra sua cabeça, logo após ter sido capturado vivo.

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Abdul-Jalil disse durante uma coletiva de imprensa, realizada na cidade de Benghazi, que o Conselho Nacional de Transição (CNT) formou um comitê para investigar a morte de Kadhafi. Funcionários do governo disseram que descobertas iniciais indicavam que o ex-líder líbio morreu durante um fogo cruzado quando seus partidários entraram em confronto com as forças do CNT durante a tomada de Sirta.

Mas Abdul-Jalil levantou uma nova possibilidade nesta segunda-feira, dando a entender que Kadhafi pode ter sido morto por seus próprios partidários para evitar que ele os implicasse em crimes cometidos por seu regime. "Vamos questionar quem tinha interesse no fato de que Kadhafi não fosse julgado. Os líbios queriam levá-lo à Justiça", disse. "Os líderes líbios queriam manter Kadhafi na prisão e humilhá-lo pelo maior tempo possível. Aqueles que queriam matá-lo eram os que eram leais a ele ou trabalharam com ele. Sua morte foi um benefício para essas pessoas."

Países ocidentais pediram investigação

Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e grupos internacionais de direitos humanos pediram uma investigação para apurar se os antigos rebeldes mataram Kadhafi. Críticos também disseram que o espetáculo macabro de seu corpo, mostrado como um troféu pelo quarto dia seguido à visitação pública num freezer comercial, levanta questões sobre o compromisso da nova liderança com o estado de direito. Os corpos de Kadhafi e do filho Mutassim estavam num frigorífico, na cidade de Misrata, mas o governo provisório encerrou a visitação nesta segunda-feira, por volta das 15h30min (horário local).

Paralelamente, Saif Al Islam, o filho de Kadhafi apontado como seu sucessor, enviou mensagens informando que está na Líbia e que continuará a liderar a "resistência até o fim para vingar a morte do pai”. "A resistência continua. Estou na Líbia, estou livre e vou lutar até o fim para vingar a morte de meu pai", disse Al Islam, em mensagem na TV Arrai, da Síria. Parte da família de Kadhafi fugiu para o Níger e a Argélia.

Abdul-Jalil disse que o governo de transição estabeleceu um comitê para determinar o que fazer com o corpo de Kadafi e a decisão será determinada por uma fatwa, ou édito religioso, pelo líder da sociedade Islâmica para Fatwa. Com informações são da Associated Press.

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