O novo governo interino do Peru vai impor o estado de emergência em Lima e na cidade vizinha de Callao para combater o cenário de insegurança. A decisão foi anunciada após o grande protesto na capital contra o crime organizado e a classe política, que resultou em uma morte causada por ação policial e mais de 100 feridos.
O chefe de gabinete, Ernesto Álvarez, confirmou a medida à imprensa: "Vamos anunciar a decisão de declarar emergência pelo menos na Lima Metropolitana". A medida afetará cerca de 10 milhões de pessoas. Sob estado de emergência, o governo pode mobilizar militares nas ruas e restringir direitos, como a liberdade de reunião. Álvarez não descartou a possibilidade de um toque de recolher, "considerando que a criminalidade não respeita a noite".
Conflito, morte de rapper e crise política
Os protestos, que se intensificaram com os confrontos mais graves na quarta-feira (15), são liderados pela "Geração Z" — jovens entre 18 e 30 anos — em repúdio ao Congresso e ao governo de direita do presidente interino José Jeri. Jeri, de 38 anos, assumiu o cargo após a destituição da ex-presidente Dina Boluarte em 10 de outubro, motivada pela crise de violência.
A jornada de protestos de quarta-feira deixou 113 feridos (84 policiais e 29 civis), além de uma vítima fatal. Dezenas de jovens prestaram homenagem ao rapper falecido Eduardo Ruiz, conhecido como "Trvko", que foi atingido por um tiro disparado por um policial que agiu por conta própria. O comandante da Polícia, general Óscar Arriola, anunciou o afastamento e detenção do policial, que foi identificado por câmeras de segurança.
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Presidente interino busca poderes especiais
Em meio à turbulência, o presidente interino José Jeri solicitou ao Congresso "faculdades legislativas" para enfrentar a crise de violência e adotar medidas de urgência sem a necessidade de aprovação parlamentar. "Queremos solicitar faculdades legislativas para legislar principalmente em temas de segurança cidadã, que é o principal problema", disse Jeri. Ele citou a necessidade de intervenção em prisões, "de onde as gangues praticam extorsão", sem detalhar o tipo de ação pretendida.
O descontentamento popular aponta para a impopular classe política, com o Peru tendo passado por sete governos na última década. Apesar da pressão e dos questionamentos, Jeri afirmou: "Não vou renunciar, vou continuar com a responsabilidade". Ele lamentou a morte do manifestante, mas insistiu que o protesto foi infiltrado por um pequeno grupo que tentou impor "o caos".
Em um mês, quase 200 pessoas ficaram feridas nos protestos de Lima. A "Geração Z" tem utilizado a bandeira da série de mangá One Piece como um novo símbolo global de protesto contra governos considerados ineficazes.