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Governo dos EUA refuta declarações sobre permanência de Mubarak

Ex-embaixador disse que presidente seguiria no poder durante transição no Egito

EUA defendem que Mubarak siga no poder durante transição
EUA defendem que Mubarak siga no poder durante transição Foto : Miguel Medina / AFP / CP
O governo dos Estados Unidos se distanciou neste sábado das declarações do ex-embaixador no Egito Frank Wisner, que afirmou que o presidente Hosni Mubarak deve permanecer no cargo durante a transição. Wisner "falava em seu nome e não em nome do governo dos Estados Unidos", disse um funcionário de Washington sob condição de anonimato.

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Wisner é um influente diplomata aposentado, que se reuniu com Mubarak na semana passada a pedido do presidente americano, Barack Obama. O ex-embaixador referiu-se a Mubarak como "um velho amigo" dos Estados Unidos e disse que ele "deve permanecer no cargo para conduzir as mudanças".

"O prosseguimento da liderança do presidente Mubarak é crucial", disse Wisner neste sábado por meio de uma vídeo-conferência na Conferência sobre segurança que ocorre em Munique, Alemanha. O diplomata aposentado acrescentou sobre Mubarak "que é sua oportunidade para escrever seu próprio legado. Ele concedeu 60 anos de sua vida a serviço do país, este é um momento ideal para que possa mostrar o caminho à frente".

Passo decisivo

Neste sábado, os Estados Unidos saudaram como "um passo positivo" a renúncia de integrantes do partido do presidente egípcio Hosni Mubarak neste sábado. Entre os dirigentes que deixaram o poder estão o secretário-geral do partido, Safwat el-Sharif, e Gamal Mubarak, filho do presidente.

"Vemos isso como um passo positivo em direção a uma mudança política que será necessária, e esperamos outros passos", informou um funcionário do governo de Barack Obama.

Mobilização segue nas ruas do país

Nas ruas, a mobilização não enfraquece. Na Praça Tahrir, símbolo da contestação, no centro do Cairo, milhares de manifestantes gritavam "vai embora, vai embora" para Mubarak, 82 anos, que governa o Egito com mão de ferro.

Apesar do apelo na véspera de Washington para que se afaste o mais rapidamente possível, Mubarak não demonstrou nenhum sinal de que vá se demitir. Agarrando-se ao poder, reuniu-se pela primeira vez com seu novo gabinete, neste sábado, depois de um gasoduto que abastece Israel e Jordânia ter sido alvo de um ataque com explosivos no Sinai egípcio.

Neste sábado, o presidente reuniu-se com o primeiro-ministro Ahmad Shafic, o ministro do Petróleo, Sameh Fahmy, o governador do Banco Central, Farouk Oqda e o ministro das Finanças, Samir Radwane. Foi a primeira vez que o gabinete se encontrou desde a demissão, no dia 29 de janeiro, do antigo governo, sob pressão popular.

Para o líder do movimento de contestação Kefaya, Georges Ishaq, isso "é uma prova de que Mubarak não vai deixar o posto e quer mostrar ao povo que ainda está lá". No exterior, informações da imprensa indicavam várias possibilidades para garantir uma saída digna a Mubarak, depois de o presidente americano Barack Obama ter declarado que haviam começado as "discussões" para a transição política no país.



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