"No momento em que sua equipe médica indicar e quando houver possibilidade, o presidente fará o juramento constitucional", acrescentou Maduro à imprensa após uma missa celebrada na segunda-feira, no centro de Caracas, pela saúde de Chávez, da qual participaram ministros, funcionários e seguidores do presidente.
No dia 11 de dezembro o presidente venezuelano foi operado pela quarta vez em 17 meses de um câncer, em Havana. Na segunda-feira, ele apresentava leve melhora, mas continuava de repouso absoluto, segundo o último comunicado oficial. Mais tarde, próximo da meia noite da véspera de natal, o vice-presidente Maduro pediu ao canal estatal VTV para dizer que falou com Chávez por telefone uns 20 minutos e anunciar que o presidente "está de muito bom humor" e dando ordens de governo.
"Estava caminhando, fazendo exercícios que fazem parte de seu tratamento diário", disse Maduro sobre Chávez, acrescentando que, apesar do momento para o governo, acreditou ser necessário transmitir uma imensa alegria aos venezuelanos. Após a operação de Chávez e diante da falta de uma data estimada para seu retorno a Caracas, começou um polêmico debate na Venezuela sobre se a data de posse na Assembleia Nacional pode ser adiada ou não.
Nesta segunda-feira, o líder opositor Henrique Capriles, que perdeu as eleições presidenciais ante Chávez em outubro, se aproximou da posição do governo ao aceitar a possibilidade de que o juramento seja adiado. "É preciso ser muito sério e muito transparente nestes casos, penso que não perde a condição de presidente eleito a pessoa que não possa tomar posse exatamente no dia estabelecido", disse Capriles à imprensa, acompanhando a posição dos 'chavistas'. "Se o presidente da República não puder se apresentar no dia 10 de janeiro para tomar posse diante da Assembleia Nacional, a própria Constituição tem as respostas. Aí se aplicaria inicialmente uma ausência temporária e, depois, o que estabelece a Constituição para a falta absoluta", destacou.
A Constituição venezuelana prevê ausências temporárias do presidente - de 90 dias prorrogáveis por mais 90 dias - durante as quais deve assumir o vice-presidente; e ausências absolutas - que devem ser decretadas pela Assembleia Nacional - em caso de morte, renúncia, destituição e inabilitação física ou mental. Caso seja decretada a ausência absoluta antes da posse ou nos primeiros quatro anos de governo, a Constituição determina a realização de eleições presidenciais antecipadas no prazo de 30 dias.
A posição de Capriles diverge da opinião da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), que afirma que a data da posse é inadiável e que a ausência de Chávez no dia 10 de janeiro caracterizará sua "ausência absoluta".