O primeiro-ministro egípcio, Hazem Beblawi, a polícia agiu com "toda moderação" e agradeceu as forças de segurança pela atuação. O premiê considerou que "nenhum Estado que se respeite teria conseguido tolerar" a ocupação das praças Rabaa al-Adawiya e Nahda por milhares de manifestantes durante um mês e meio.
O governo decretou nesta quarta estado de emergência nacional e um toque de recolher regional. O banho de sangue provocou uma crise governamental, com a renúncia do vice-presidente, o Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei. "Para mim é dificil continuar a assumir a responsabilidade de tomar decisões com as quais não estou de acordo", escreveu na carta.
As autoridades tinham prometido um retirada "gradual" dos manifestantes das praças cairotas de Rabaa al-Adawiya e Nahda, ocupadas há um mês e meio por milhares de partidários de Mursi, derrrubado no dia 3 de julho pelos militares. Mas as tropas policiais e militares surpreenderam as pessoas acampadas nas duas praças, realizando um cerco ao amanhecer, e começaram a avançar com escavadeiras e disparando bombas de gás lacrimogêneo contra as barracas, que abrigavam várias mulheres e crianças.
Os Estados Unidos condenaram energicamente a violência contra os manifsetantes no Egito e criticaram a imposição de um estado de emergência no país, afirmou a Casa Branca. O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, pediu que os militares egípcios mostrem moderação na operação de dispersão dos partidários do presidente destituído Mohamed Mursi.
Jornalistas mortos
Um cameraman da TV inglesa, Sky News e o repórter de um jornal baseado em Dubai foram mortos durante a violência ocorrida no Egito, informaram seus empregadores. A Sky informou que Mick Deane, 61 anos, foi atingido por um tiro enquanto cobria a desintegração dos acampamentos de protestos no Cairo hoje. A empresa informou que o jornalista chegou a ser atendido pelos médicos, mas morreu logo depois. O restante da equipe não ficou ferida.
O jornal Golfo News, órgão oficial dos Emirados Árabes Unidos, informou em seu endereço na internet que a jornalista Habiba Ahmed Abd Elaziz, 26 anos, foi atingida por um tiro e morreu próximo à mesquita Rabaah al-Adawiya, no cairo, no momento em que as forças de segurança entraram em confronto com os apoiadores do presidente deposto, Mohammed Morsi. O jornal disse que a jornalista estava em férias e não cobria os protestos para a XPRESS, publicação que integra o grupo e para a qual ela trabalhava.
O diretor de notícias da Sky News Joh Ryley disse que Deane foi um jornalista brilhante e um mentor para muitos colegas. Deane trabalhou para a TV durante 15 anos nos Estados Unidos e Oriente Médio. Ele era casado e tinha dois filhos.
Outros jornalistas foram feridos durante os confrontos. A agência de notícia Reuters confirmou que a fotógrafa Asmaa Waguih levou um tiro na perna, mas está fora de perigo. Um fotógrafo da Associated Press que trabalhava perto da mesquita Rabaah al-Adawiya durante os conflitos foi atingido no pescoço por duas cápsulas de balas, informou o editor de fotografia da AP no Oriente Médio, Manoocher Deghati. O fotógrafo recebeu cuidados médicos e voltou ao trabalho, informou Deghati.