A paralisação geral coincide com uma jornada de luta na Europa, marcada por uma grande manifestação em Bruxelas e concentrações em Portugal, Itália e Polônia contra as medidas de austeridade para enfrentar a crise. No meio da manhã, a paralisação tinha adesão de 71,70%, segundo o secretário da UGT, José Javier Cubillo.
"A paralisação é praticamente total desde a noite de terça-feira nos setores de indústria e serviços, siderurgia, infraestruturas, coleta de lixo e serviços de limpeza urbana", afirmou Antonio del Campo, secretário do CCOO, a outra grande central sindical do país.
"O consumo de energia registrou queda como a do nível de um feriado, o que confirma o êxito da greve geral", completou. O governo afirmou que nas primeiras horas da greve os serviços mínimos foram respeitados e não foram registrados incidentes consideráveis.
Segundo o ministério do Trabalho, em Madri, circulava um trem a cada hora. As ações dos piquetes concentraram-se na entrada dos mercados de abastecimento de Madri e Barcelona. Ao todo, cerca de quinze pessoas ficaram feridas em incidentes nos principais pontos do país.
Zapatero declarou nesta quarta-feira, ante o Congresso dos Deputados, que "o governo trabalha para garantir o direito à greve e o direito ao trabalho". Recordou ainda aos sindicatos a obrigação de contribuir para o diálogo sobre a reforma trabalhista.
O governo aprovou recentemente um plano de austeridade para reduzir o déficit público que visa à redução dos salários dos funcionários públicos e o congelamento das pensões de aposentadoria, e prepara um orçamento com cortes para 2011. Os protestos continuaram nesta tarde, com manifestações em Madri e dezenas de cidades.