Em sua primeira entrevista a uma rede de televisão norte-americana em anos, Nicolás Maduro acusou o governo dos "Estados Unidos de tentar fabricar uma crise para justificar a escalada política e uma intervenção militar na Venezuela para levar uma guerra à América do Sul". "Tudo o que o governo dos EUA fez foi fadado ao fracasso", disse ao jornalista Tom Llamas, da ABC News, diretamente do palácio de Miraflores, em Caracas. "O governo extremista da Ku Klux Klan que Donald Trump dirige quer uma guerra pelo petróleo, e mais do que apenas petróleo", disse, descrevendo seu país como uma "nação humilde e pacifista".
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"A Venezuela tem o direito à paz, a Venezuela tem instituições legítimas. Eu, como presidente da Venezuela, estou preparado para um diálogo direto com o seu governo e com vocês para procurar, como os americanos que somos. Somos sul-americanos, vocês são norte-americanos. Precisamos procurar soluções do século 21, não soluções da Guerra Fria. A Guerra Fria deve ficar para trás. Não podemos ter essa guerra de comunista, você é anticomunista, intercomunista, anti-comunista - isso não é deste século. Somos democratas que acreditam em um novo tipo de socialismo e temos o direito à diversidade de critério e ideologia. E, assim, o presidente Trump deve estar sempre pronto para ver a verdade da Venezuela - o outro lado da moeda e corrigir e iniciar um novo caminho ", continuou.
Na segunda, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, viajou para a Colômbia para entregar uma mensagem de Trump ao líder opocisionista e autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó: "Estamos com você 100%". Lá, ele anunciou que seu país fornecerá US$ 56 milhões adicionais em ajuda aos cidadãos venezuelanos e que o Departamento do Tesouro estaria impondo "sanções mais fortes" às "redes financeiras corruptas" do regime. Maduro disse que Trump precisa "consertar sua política em relação à Venezuela" e classificou o encontro em Bogotá como "parte da política para tentar estabelecer um governo paralelo na Venezuela".
"O caminho que você tem aqui é o caminho fraturado que Barack Obama deixou para trás, o do presidente Trump. É um caminho de um golpe de Estado, de uma intervenção - que não é do século 21 - digo a você, retifique. Você sempre terá em mim alguém que é preparado - com nossas diferença - para estender minha mão e falar de um diálogo pacífico". Perguntado se tem medo de Trump, Maduro disse que não o teme, sim os homens ao seu redor, incluindo o vice-presidente Mike Pence, a quem chamou de "homem que não conhece a política mundial, inconsciente da política latino-americana", e o Conselheiro de Segurança Nacional Joh, Bolton, "um extremista e especialista da Guerra Fria".
Maduro disse ao repórter para não acreditar em críticos que dizem que ele está sem movimentos, em uma espécie de xeque-mate político, acrescentando que o país "tem toda a capacidade econômica para seguir em frente e nós vamos neste ano, 2019". "Assim, esse esquema de xeque-mate, Mike Pence pode acreditar nisso. Mike Pompeo pode acreditar nisso. John Bolton e Elliott Abrams podem acreditar nisso. Mas você não deve acreditar nisso porque é jovem e sabe que a história continuará".
"Na Venezuela há plena liberdade de expressão política"
O ditador defendeu que "na Venezuela há uma democracia com muito potencial, com muita força". "O que posso dizer é essa é a expressão livre para mobilizações de oposição política. Eles têm grupos que atacam as forças públicas e é com isso que lidamos em 2016. Grupos de delinquentes que foram julgados e processados de acordo com a lei venezuelana. O que eu também posso dizer é que na Venezuela há plena liberdade de expressão política, de opinião, liberdade de imprensa. Na Venezuela há total liberdade para ocupar cargos públicos", argumentou.
"E não pode ser negligenciado e ignorado que esta Constituição é a primeira constituição na história de nosso país que foi aprovada por referendo e tem força total e está em vigor hoje na Venezuela", acrescentou. "A Venezuela tem uma Constituição que é defendida por todas as suas instituições. É um Estado legítimo e poderoso. E a Venezuela tem relações extraordinárias - somos o presidente da Organização dos Estados Não-Alinhados que agrupa 120 países. Somos o presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo este ano. Temos grandes responsabilidades em todo o mundo que continuaremos a cumprir", acrescentou.
"Guaidó deve respeitar as leis"
Mais de 50 países já não reconhecem Maduro como presidente da Venezuela e anunciaram que consideram Guaidó o presidente legítimo do país. Quando questionado se permitiria que o oposicionista ingressasse novamente ao território venezuelano, Maduro disse. "Ele pode sair e voltar e terá que ver a face da justiça porque a justiça o proibiu de deixar o país. Ele tem que respeitar as leis", disse Maduro.
Ao ser confrontado com as reivindicações das Nações Unidas e grupos de direitos humanos que estimam que centenas de pessoas morreram por causa de sua administração, Maduro acusou o jornalista faltar com a verdade. "Nenhuma organização de direitos humanos me responsabilizou por qualquer morte. Você está mentindo Thomas. Não minta. Você é como Trump", retrucou Maduro ao repórter, que respondeu que tinha o relatório da ONU que incluía alegações de que centenas morreram como resultado da administração. "Isso faz de mim, Nicolás Maduro, responsável por assassinar pessoas?", rebateu.