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Governo grego aprova plano de austeridade de forma unânime

Projeto que prevê extensos cortes é essencial para acesso à ajuda financeira da União Europeia

Projeto que prevê extensos cortes é essencial para acesso à ajuda financeira da União Europeia
Projeto que prevê extensos cortes é essencial para acesso à ajuda financeira da União Europeia Foto : YIORGOS KARAHALIS / POOL / AFP / CP
O governo grego de coalizão aprovou, na madrugada deste sábado (horário local) por unanimidade, o plano de austeridade exigido pela Zona do Euro e Fundo Monetário Internacional (FMI) para desbloquear uma nova ajuda à Grécia que permita o país evitar um calote em março. O relato foi feito pelo gabinete do primeiro-ministro, Lucas Papademos.

Ele advertiu, nesta sexta-feira, que a Grécia arriscava cair em um "caos descontrolado" se não houvesse acordo sobre o plano de austeridade, após a demissão de seis ministros opostos às medidas de rigor impostas pela UE e pelo FMI para evitar o calote do país.

A agência Athens News afirmou que o acordo passou ao Parlamento para ser submetido a votação no domingo, mas os porta-vozes governamentais não puderam ser contatados para confirmar essa informação. Sem a aprovação de um programa econômico de austeridade drástica, a Grécia não tem possibilidades de receber nem um só centavo da ajuda entre os 130 bilhões de euros preparados por UE e FMI para evitar um default em março, quando o país deve devolver 14,5 bilhões de euros em empréstimos.

Esse voto a favor, exigido pelos credores, deverá supor a aceitação para os gregos das reformas de saneamento exigidas, além do compromisso por escrito de todos os líderes políticos a aplicá-lo, já que o programa de empréstimos durará até 2015, além do que possivelmente o atual governo irá durar. A retirada do apoio do partido de extrema-direita Laos ao programa de austeridade somou um pouco mais de confusão à situação do país que viveu nesta sexta-feira novos confrontos, com dezenas de feridos, entre eles cinco policiais.

Quatro ministros do Laos deixaram o cargo nesta sexta-feira, assim como uma ministra socialista, que se somaram à anunciada por outro membro do Executivo no início da semana. Papademos disse que "quem estiver em desacordo com o plano de rigor não pode permanecer no governo". Sem o apoio do Laos, que conta com 16 dos 252 deputados que somava até agora a coalizão governamental, Papademos dispõe ainda de uma maioria para aprovar o plano, apesar de correr o risco de o governo continuar rachado. Paralelamente a uma manifestação que reuniu cerca de 7 mil pessoas na praça Syntagma, no centro de Atenas, um grupo lançou pedras e coquetéis molotov contra a polícia, que respondeu com bombas de gás.

Outra manifestação reuniu 10 mil militantes comunistas da Frente dos Trabalhadores em Atenas, um protesto que não registrou incidentes. Assim como nos protestos de junho e outubro de 2011, o centro da capital estava nesta sexta-feira paralisado pela greve de 48 hroas nos transportes e os serviços públicos que se prolongará até sábado.

O plano de austeridade, que prevê uma redução do salário mínimo de 22%, a demissão este ano de 15 mil funcionários e cortes em algumas aposentadorias "será o túmulo da sociedade grega", denunciaram os sindicatos, negando que o governo tenha qualquer "legitimidade" para impor as medidas. No domingo serão convocadas manifestações na frente do Parlamento, onde as novas medidas de rigor serão votadas.


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