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Governo haitiano encerra operações de resgate

Balanço do terremoto do dia 12 supera agora os 111 mil mortos

Militares norte-americanos tentam organizar o caos movido pelo desespero e pela fome
Militares norte-americanos tentam organizar o caos movido pelo desespero e pela fome Foto : PORTO PRÍNCIPE, Haiti (AFP)
A busca por sobreviventes foi oficialmente encerrada no Haiti, onde o balanço do terremoto do dia 12 supera agora os 111 mil mortos, enquanto se intensificavam as distribuições de ajuda alimentar e médica aos sobreviventes.

"O governo declarou encerrada a fase de busca de sobreviventes", anunciou o Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), destacando em comunicado que as operações de resgate foram encerradas sexta-feira às 16H00 locais (19H00 de Brasília).

"No total, 132 vidas foram salvas pelas equipes de socorristas internacionais", acrescentou o OCHA.
O balanço da catástrofe se agravou de repente ontem, atingindo, segundo os últimos dados oficiais, 111.499 mortos e 190 mil feridos.

Enquanto o número de mortos aumentava, o de sobreviventes resgatados dos escombros diminuía. No entanto, um jovem de 22 anos foi encontrado vivo sexta-feira por uma equipe militar israelense.

Um pouco antes, Maria Carida Roman, 84 anos, havia sido retirada dos escombros de sua casa antes de ser levada ao The Comfort, o navio-hospital do Exército dos Estados Unidos, com capacidade para mil feridos.
Para salvar vidas, 1.918 socorristas internacionais e 160 cães divididos em 67 equipes vasculharam os escombros da capital e das cidades e aldeias do sul do Haiti. Mas 11 dias após o terremoto, as chances de resgatar pessoas vivas são ínfimas.

"O governo haitiano tomou a decisão (de encerrar as buscas) depois de consultar especialistas. Cabe a ele tomar esta decisão, e ela é soberana", declarou Elisabeth Byrs, porta-voz do OCHA em Genebra.

As operações humanitárias vão agora se focalizar na ajuda aos desabrigados, num momento em que se intensificam as distribuições de alimentos, água, cuidados médicos e barracas às centenas de milhares de sobreviventes, em Porto Príncipe e nas cidades mais devastadas de Jacmel e Leogane. O porto da capital está parcialmente operacional, assim como 30% dos postos de gasolina.

A distribuição da ajuda alimentar "está se intensificando a cada dia", com "dois milhões de rações distribuídas na sexta-feira" contra 1,2 milhão no dia anterior, ressaltou a diretora do Programa Alimentar Mundial (PAM) Josette Sheeran.

"As palavras não bastam para descrever a devastação causada pelo terremoto. Alguns bairros de Porto Príncipe estão numa situação pior do que muitas zonas de guerra", afirmou.

Segundo o governo haitiano, quase 610 mil pessoas estão alojadas em 500 campos improvisados.
Na praça do Champ de Mars, onde 10 mil pessoas vivem debaixo de barracas em condições de higiene lamentáveis, militares da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) distribuíram ontem 22 mil litros de água e 10 toneladas de comida.

Muitos haitianos decidiram partir para regiões poupadas pelo terremoto. Mais de 130 mil pessoas já aproveitaram o transporte gratuito para outras cidades disponibilizado pelo governo, mas "o número total das pessoas que partem por seus próprios meios continua indeterminado", destacou a ONU.

As agências humanitárias instaladas no país antes do terremoto já constataram estas chegadas de populações, entre elas muitos feridos, no centro e no oeste do Haiti.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o êxodo pode envolver até um milhão de pessoas e afetar o equilíbrio das regiões rurais pobres que estão recebendo os desabrigados.
"Não há nada para fazer lá onde eu vou, mas pelo menos vou poder comer", resumiu Ronald Jean Frite, 25 anos, esperando um dos ônibus gratuitos prometidos pelo governo.

Segunda-feira, os "países amigos" do Haiti, entre os quais o Brasil, os Estados Unidos e a França, manterão uma reunião de emergência em Montreal para coordenar a ajuda e preparar uma conferência sobre a reconstrução prevista para março.

A busca por sobreviventes foi oficialmente encerrada no Haiti, onde o balanço do terremoto do dia 12 supera agora os 111 mil mortos, enquanto se intensificavam as distribuições de ajuda alimentar e médica aos sobreviventes.
Um pouco antes, Maria Carida Roman, 84 anos, havia sido retirada dos escombros de sua casa antes de ser levada ao The Comfort, o navio-hospital do Exército dos Estados Unidos, com capacidade para mil feridos.

A distribuição da ajuda alimentar "está se intensificando a cada dia", com "dois milhões de rações distribuídas na sexta-feira" contra 1,2 milhão no dia anterior, ressaltou a diretora do Programa Alimentar Mundial (PAM) Josette Sheeran.

Muitos haitianos decidiram partir para regiões poupadas pelo terremoto. Mais de 130 mil pessoas já aproveitaram o transporte gratuito para outras cidades disponibilizado pelo governo, mas "o número total das pessoas que partem por seus próprios meios continua indeterminado", destacou a ONU.