O primeiro-ministro Hazem el-Beblawi apareceu na televisão estatal para anunciar a renúncia de seu gabinete, cujo trabalho em tempos de crise foi elogiado por ele, referindo-se a situação da segura e as dificuldades "econômicas" do mais populoso país árabe, mergulhado em uma espiral de violência desde a destituição e prisão do primeiro presidente democraticamente eleito do Egito, em 3 de julho, pelo exército.
Desde então, seus partidários e a Irmandade Muçulmana, à qual pertence, têm sido violentamente reprimidos. Neste contexto, o chefe do exército, o poderoso ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro do governo de Beblawi, o marechal Abdel Fattah al-Sissi, que arquitetou a queda de Mursi, deve, segundo pessoas próximas, anunciar em breve sua candidatura à presidência.
Agraciado com a mais alta patente do exército, Sissi também deverá renunciar ao cargo que ocupa no governo e deixar a carreira militar para reunir todas as condições necessárias para se candidatar.
A eleição deverá ocorrer na primavera, de acordo com o "roteiro" estabelecido pelo exército após o golpe contra Mursi. O marechal Sissi, muito popular entre os egípcios, tem boas chances de vencer a disputa.
O único candidato declarado até o momento, o líder a esquerda Hamdeen Sabbahi, afirmou à AFP que teme um retorno a um poder autoritário, enquanto a repressão que já fez mais de 1.400 mortos, segundo a Anistia Internacional, e milhares de prisões entre os islâmicos, também tem atingido os jovens militantes progressistas.