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Governo Maduro vai indenizar familiares de mortos na prisão

De acordo com ONG, cadeias do país estão superlotadas

Incêndio em prisão da Venezuela deixou 68 mortos
Incêndio em prisão da Venezuela deixou 68 mortos Foto : Juan Barreto / AFP / CP
O governo de Nicolás Maduro garantiu, nesta sexta-feira, que vai indenizar os familiares das 68 pessoas mortas na última quarta em um incêndio em instalações policiais da cidade de Valencia, no Norte do país. Conforme nota oficial, o governo se compremete a ativar os "protocolos necessários para a proteção integral a cada uma das famílias afetadas, assim como a atenção às pessoas que foram lesionadas".

"Acertou-se a concessão de medidas de indenização em conformidade com o estabelecido na Constituição", afirma um comunicado divulgado pela Chancelaria. No comunicado, também se pede ao Ministério Público que inicie uma investigação para determinar as causas e os responsáveis pelo ocorrido.

Segundo a Procuradoria, 68 pessoas morreram no incêndio no Comando da Polícia de Carabobo. Entre as vítimas, havia duas mulheres que visitavam o presídio.

Fontes policiais disseram à agência de notícias AFP que, neste sábado, oito corpos ainda deviam ser entregues aos familiares, que não os haviam reclamado. De acordo com a ONG Una Ventana a la Libertad, de defesa dos direitos dos presos, as chamas foram iniciadas por um grupo de detentos que planejavam uma fuga.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU reivindicou uma investigação "rápida e completa". Também pediu a Caracas que "conceda indenizações aos familiares das vítimas e identifique e leve os responsáveis à Justiça".

O governo Maduro rejeitou as "precipitadas e desproporcionais" declarações da ONU, porque - garante - buscam estabelecer uma "posição tendenciosa sobre a Venezuela, de maneira prejudicial e sem requerer informação oficial". "Constitui uma agressão multiforme que se desenvolve contra o nosso país, fazendo uso grosseiro e infame do tema dos direitos humanos", completa a nota.

O diretor da ONG, Carlos Nieto, culpou o governo pela tragédia, ao apontar o confinamento nesse e em outros centros de detenção. Os réus não deveriam passar mais de 48 horas nesses locais, mas, na prática, permanecem meses. A ONG estima em 400% a superlotação nessas instalações.