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Governo nega responsabilidade em massacre que matou mais de 90 pessoas na Síria

Comunidade internacional condena ataque que vitimou 32 crianças

Ato foi cometido por terroristas, conforme autoridades
Ato foi cometido por terroristas, conforme autoridades Foto : HO / Shaam News Network / AFP
O regime sírio negou neste domingo qualquer responsabilidade no massacre de Hula, no qual 92 pessoas morreram, das quais 32 crianças, e atribuiu o ato a terroristas. Ao mesmo tempo, foi anunciada a abertura de uma investigação.

"Negamos totalmente qualquer responsabilidade do governo neste massacre terrorista que teve por alvo habitantes" de Hula, declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Jihad Makdissi, dois dias após o ataque, que a oposição atribui ao regime de Bashar al-Assad.

Segundo o porta-voz, as autoridades sírias vão abrir uma investigação para esclarecer as circunstâncias das mortes, que provocaram uma condenação internacional unânime. Makdissi apresentou uma nova versão do ocorrido em Hula, na província de Homs, no centro da Síria, na sexta-feira. Por volta das 14h locais, "centenas de homens armados se reuniram em várias caminhonetes carregadas com armamento pesado, morteiros e metralhadoras", disse.

"As forças terroristas se dirigiram a esta região que está protegida pelas tropas governamentais e atacaram vários postos militares", acrescentou, explicando que utilizaram pela primeira vez "mísseis antitanque". Segundo o porta-voz, as tropas governamentais não avançaram e "responderam em legítima defesa".

Mais de 13 mil pessoas, em sua maioria civis, morreram violentamente na Síria desde meados de março de 2011, quando começou a revolta contra o regime de Bashar al-Assad, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Ao menos 9.183 civis, 3.072 membros das forças governamentais e 794 desertores morreram devido à repressão, aos combates e aos atentados que atingem o país há mais de 14 meses, segundo esta Organização Não Governamental (ONG).

Comunidade internacional condena ataques


A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, condenou nesse sábado a "atrocidade" das mortes de 92 pessoas na cidade de Hula, somando-se aos apelos globais para uma ação global que ponha fim ao banho de sangue. Hillary disse que os Estados Unidos trabalhariam com seus aliados internacionais para aumentar a pressão sobre o presidente Bashar al-Assad e seus "camaradas" depois do anúncio do massacre, afirmando que seu "regime de morte e medo precisa ter um fim".

"Os Estados Unidos condenaram nos termos mais fortes possíveis o massacre de ontem na cidade síria de Hula", destacou Clinton em um comunicado divulgado por sua porta-voz. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, declarou-se "horrorizada" com o massacre e condenou o que classificou de "ato odioso cometido pelo regime", convocando Damasco a pôr fim imediatamente à violência.

"Estou horrorizada com as informações sobre o massacre realizado pelas Forças Armadas da Síria na cidade de Hula, que custou a vida de mais de 90 pessoas, entre elas crianças", diz um comunicado de Catherine divulgado na noite desse sábado.

"Condeno nos termos mais enérgicos essa atrocidade cometida pelo regime sírio contra a sua própria população civil mesmo com o cessar-fogo acertado, e na presença de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU)", acrescenta o texto.

"Ofereço todo o meu apoio à missão de observação da ONU. Convoco o governo sírio a aplicar integralmente o plano de seis pontos do enviado especial da ONU, Kofi Annan, aprovado pela resolução 2043 do Conselho de Segurança", diz Catherine. "A União Europeia apoia plenamente os esforços de Kofi Annan e sua equipe para levar adiante o processo político", afirma a chefe diplomática, assinalando que irá se reunir neste domingo com Annan.

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