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"É um movimento egípcio. Todo mundo participou, tanto muçulmanos como cristãos, para exigir os direitos que lhes roubaram", declarou o imã que liderou a oração, Khaled al Marakbi, um dos entrincheirados há 11 dias na praça. "Não temos um partido que nos represente e expresse nossas reivindicações. Aquele que quiser negociar, que venha aqui no meio para falar", desafiou o irã. "Estamos livres e queremos viver livres. Peço que tenham paciência até a vitória", completou.
O imã chorou durante a oração na qual se lembrou dos mortos, segundo a Organização das Nações Unidas, pelo menos 300 pessoas desde 25 de janeiro. Tão logo ele terminou de falar, as pessoas começaram a gritar "vá embora, vá embora já" para pedir a renúncia do presidente, de 82 anos, que já está há 30 anos no poder.
O ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi, entrou na praça cercado por soldados e discursou à multidão. "Mubarak já disse que não voltará a concorrer na eleição de setembro", argumentou Tantawi. O ministro reiterou o pedido dos principais líderes do país a um diálogo com a oposição e convocou o Guia Supremo da Irmandade Muçulmana - grupo mais organizado dos que se opõem a Mubarak -, Mohamed Badi, para conversar.
Nos últimos dois dias, os partidários de Mubarak agrediram inúmeros jornalistas estrangeiro. A ONU pediu nesta sexta às autoridades egípcias que efetuem investigações "transparentes e imparciais" sobre as violências. "Os governos devem escutar suas populações e colocar em prática suas obrigações sobre direitos humanos", declarou a alta comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay. "A mudança está em curso no Egito, como aconteceu na Tunísia, mas a violência e o derramamento de sangue devem ser interrompidos."
A União Europeia (UE), por sua vez, inaugurou uma reunião de cúpula nesta sexta-feira, em Bruxelas, com a intenção de manter a pressão sobre o regime de Hosni Mubarak e exercer uma influência nesta crise ao lado dos Estados Unidos.
Em sua chegada a Bruxelas, os dirigentes europeus pediram a Mubarak que evite novos episódios de violência durante o "Dia da Partida" e inicie rapidamente uma transição política.
Os opositores ao regime rejeitaram, até o momento, qualquer diálogo com o governo enquanto Mubarak permanecer no poder. O guia da Irmandade Muçulmana, principal força de oposição no Egito, disse nesta sexta-feira que está disposto a dialogar com o vice-presidente Omar Suleiman após a renúncia de Mubarak. "Dialogaremos com quem quiser desenvolver reformas no país, depois da renúncia desse injusto, corrupto tirano", declarou Badie. É a primeira vez que o guia supremo da organização islâmica expressa-se publicamente desde o início de uma revolta popular contra o regime de Mubarak, em 25 de janeiro.
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