"Isso não vai afetar significantemente seu governo, mas vai ter consequências. Agora que ele não tem mais uma imagem de invencível", afirmou o cientista político Simón Pachano, da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais. O presidente, que governa com alto índice de aprovação e maioria parlamentar, falhou na tentativa de transmitir sua popularidade aos candidatos governistas.
Apoiado em sua liderança e nos sete triunfos eleitorais conquistados desde que chegou ao poder, em 2007, Correa tentou passar a ideia de que uma derrota do governo comprometeria o futuro da "Revolução Cidadã", projeto socialista comandado por ele, em parceria com Venezuela, Bolívia e Argentina. Tanto o kirchnerismo na Argentina como o chavismo na Venezuela governam com a oposição administrando as capitais.
Os resultados oficiais e as pesquisas de boca-de-urna indicavam uma derrota da Aliança País, partido fundado pelo presidente, nas principais cidades do país, incluindo a capital Quito, onde o prefeito Augusto Barrera – ligado a Correa – tentava a reeleição. A oposição de centro-direita conseguiu se manter no poder de Guayaquil e conquistar as prefeituras de Cuenca e Portoviejo, terceira e quarta cidades mais importantes do Equador, e de Manta, principal porto pesqueiro do país.
O partido ainda foi derrotado em governos estaduais importantes da Amazônia e do Sul do país, onde existe uma forte resistência a seus planos petroleiros e mineiros.