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Governos ocidentais pressionam Síria a dar acesso à ONU após ataques

Oposição denunciou ofensiva com armas químias que teria deixado 1,3 mil mortos

Comunidade internacional pressiona Síria a dar acesso à ONU após ataques
Comunidade internacional pressiona Síria a dar acesso à ONU após ataques Foto : Paul J. Richards / AFP / CP
A Síria foi alvo de uma intensa pressão, nesta quinta-feira, para permitir que inspetores da ONU visitem o local onde ocorreu um suposto ataque com armas químicas perto de Damasco. Segundo a oposição, a ofensiva teria causado 1,3 mil mortes e provocado indignação em todo o mundo.

Os governos ocidentais exigiram que os inspetores da ONU tenham acesso imediato aos locais dos supostos ataques. Eles já estão presentes na Síria para investigar acusações anteriores de ataques com armas químicas.
O chefe da missão de inspetores da ONU, o sueco Aake Sellstroem, estava em negociações com Damasco "sobre todas as questões relativas à suposta utilização de armas químicas, incluindo este ataque mais recente", disse um comunicado da ONU.

Já o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, exigiu que os inspetores tenham "acesso imediato às testemunhas e às pessoas afetadas" e possam "examinar e coletar evidências físicas, sem qualquer interferência ou manipulação por parte do governo sírio". Washington já havia descrito o uso de armas químicas como uma linha vermelha que poderia desencadear uma intervenção militar na Síria.

O ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, disse nesta quinta-feira que esaa linha vermelha já havia sido ultrapassada e pediu uma ação internacional. "Apelamos à comunidade internacional nesta situação, onde a linha vermelha foi ultrapassada há muito tempo, para intervir o quanto antes", afirmou em Berlim após uma reunião com seu colega alemão, Guido Westerwelle.

Damasco negou com veemência a utilização de armas químicas, e uma fonte de alto escalão da segurança afirmou que teria sido um "suicídio político" realizar um ataque como esse num momento em que uma equipe de inspetores da ONU está presente no país. "Todos os analistas dizem que não é do nosso interesse atual utilizar armas químicas enquanto a comissão está no local", explicou.

A França disse que buscará uma reação "forte", caso sejam confirmadas as alegações da Coalizão Nacional, principal grupo da oposição, sobre um massacre envolvendo armas químicas. "Se for provado, a posição da França é que deve haver uma reação, uma reação que pode ser forte", afirmou o chanceler francês, Laurent Fabius, à BFM-TV, embora tenha descartado o uso de tropas em terra.

Até agora não houve confirmação independente do ataque, mas vídeos e fotografias publicados online por ativistas mostraram cenas de pessoas com a boca espumando e de corpos dispostos em longas filas. Em um vídeo no YouTube, é possível ver crianças recebendo os primeiros socorros em um hospital de campanha, principalmente oxigênio. Os médicos pareciam tentar ressuscitar crianças inconscientes.

Outro vídeo mostrou o que ativistas disseram ter sido um caso de histeria após um ataque com armas químicas no leste do país. A autenticidade dos vídeos não foi confirmada até o momento. Se for provado, este seria o maior uso de armas químicas desde que as forças iraquianas de Saddam Hussein atacaram a cidade curda de Halabja, em 1988.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos afirmou que as forças do regime bombardearam nesta quinta-feira uma série de zonas rebeldes em torno de Damasco, enquanto a Coalizão informou que esses ataques ocorreram no dia anterior. O grupo com sede na Grã-Bretanha, que utiliza nomes e vídeos para documentar ataques com vítimas na guerra síria, apresentou um registro de 170 pessoas mortas – 71 homens, 34 mulheres, 25 crianças e 40 combatentes rebeldes.

Segundo a ONU, mais de 100 mil pessoas já foram mortas na guerra da Síria, que já dura 29 meses. Outras milhares foram forçadas a abandonar suas casas.


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