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Grécia adota medidas após incêndio em campo de refugiados de Lesbos

Autoridades tentavam recuperar o controle da situação na ilha

Grécia adota medidas após incêndio em campo de refugiados de Lesbos
Grécia adota medidas após incêndio em campo de refugiados de Lesbos Foto : Louisa Gouliamaki / AFP / CP
As autoridades gregas detiveram nesta terça-feira nove moradores do acampamento de Moria, na ilha de Lesbos, depois que um incêndio arrasou durante a noite, sem deixar vítimas, as instalações deste campo de migrantes. Estes nove refugiados, entre eles vários afegãos, iraquianos, um senegalês, um sírio e um camaronês, são suspeitos de ter iniciado os confrontos que explodiram durante a noite em Moria, que desencadearam o incêndio no acampamento, informou uma fonte policial.

As autoridades tentavam na manhã desta terça-feira recuperar o controle da situação na ilha, onde o incêndio provocou a fuga de 5 mil refugiados. Gradualmente, centenas de pessoas retornavam a este campo superpovoado. Quarenta policiais foram mobilizados como reforço. "A calma voltou à ilha, mas a situação ainda é instável", já que os migrantes e refugiados se dispersaram nos arredores de Moria, até Mitilene, a capital da ilha, a 10 km, informou uma fonte policial.

As imagens dos meios de comunicação gregos mostravam mulheres correndo com seus bebês dormindo nos braços. Não foi registrado nenhum ferido. O incêndio destruiu 60 alojamentos pré-fabricados, 100 barracas e três contêineres. O ministério de Política Migratória se apressava nesta terça-feira em alojar as famílias em um segundo acampamento na ilha, em Kara Tepe, onde se encontram refugiados em situação vulnerável ou com chances de obter asilo.

Paralelamente, o objetivo é reconstruir "o mais rápido possível" Moria, indicou uma fonte do ministério. "Não surpreende" que a situação tenha degenerado em Moria, especialmente pela "falta de segurança", revelou Roland Schonbauer, um representante na Grécia do Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR). Os incidentes são frequentes neste campo, onde estão alojados 5.650 refugiados, enquanto a capacidade de abrigo é de 3.500, segundo estatísticas oficiais de segunda-feira.

Schonbauer reiterou os apelos do ACNUR para a transferência "o quanto antes" ao continente de uma parte da população bloqueada nas ilhas. A maioria dos refugiados detidos em Lesblos estão bloqueados pelo acordo entre a União Europeia e Ancara que prevê o reenvio à Turquia de todos os migrantes que chegaram às ilhas gregas próximas à costa turca depois de 20 de março. Para evitar, ou atrasar o envio, a maioria dos refugiados pedem asilo na Grécia. Os serviços de asilo gregos, que não receberam os reforços europeus prometidos, estão, devido a isso, saturados.

A tensão aumenta em Lesbos e nas ilhas dos arredores há semanas. Uma manifestação na segunda-feira a favor da expulsão dos refugiados, onde participaram militantes de ultradireita, atiçou ainda mais a tensão, segundo o ministério de Política Migratória. No total, as autoridades informaram nesta terça-feira sobre mais de 13.600 migrantes bloqueados na zona oriental do mar Egeu, principal porta de entrada à Europa do êxodo sírio em 2015.