Mundo

Grécia anuncia novo governo de coalizão e se prepara para negociar com Europa

Objetivo é não ameaçar a permanência do país na zona do euro

Primeiro-ministro grego, o conservador Antonis Samaras, anunciou a formação de seu governo nesta quinta-feira
Primeiro-ministro grego, o conservador Antonis Samaras, anunciou a formação de seu governo nesta quinta-feira Foto : Louisa Gouliamaki / AFP / CP
O novo primeiro-ministro grego, o conservador Antonis Samaras, revelou, nesta quinta-feira, a composição de seu governo de coalizão, que renegociará com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional (FMI) as condições do plano de austeridade. As formações conservadora, socialista e de esquerda moderada coligadas no executivo indicaram em um comunicado oficial que o objetivo do governo é "revisar os termos do acordo de resgate (...) sem que isso ameace a permanência do país na zona do euro".

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, felicitou a formação do executivo como "um sinal claro da determinação da Grécia em cumprir seus compromissos e permanecer no euro". O país, abatido economicamente com uma recessão pelo quinto ano consecutivo, quer obter um prazo suplementar de dois anos, até 2016, para sanar suas finanças públicas. A Grécia precisará, no entanto, de até 20 bilhões de euros suplementares, segundo fontes locais.

Samaras, de 61 anos, formou uma equipe de 38 membros, dominada por seu partido Nova Democracia, vencedor das legislativas de 17 de junho, que concentra dez das 17 carteiras. O banqueiro Vasilis Rapanos, um veterano da gestão econômica do Estado grego, próximo aos socialistas, terá a carteira chave de Finanças. Ele será acompanhado por Christos Staikuras, conselheiro de Samaras. O conservador Dimitris Avramopulos será ministro de Relações Exteriores. A carteira da Reforma da Administração, decisiva para a modernização do aparelho estatal, ficou nas mãos do esquerdista Antonis Manitakis.

O executivo afirmou que serão respeitados os objetivos evidentes de redução de déficit orçamentário, controle da dívida e aplicação das reformas estruturais. "O objetivo é criar as condições para tirar o país da crise de uma vez por todas e para que não dependa mais de planos de resgate no futuro", afirma o comunicado.

Contudo, segundo um funcionário da zona do euro, o programa de ajuda à Grécia saiu dos trilhos e terá que ser renegociado neste verão, seja para reforçar as medidas de austeridade ou para ampliar os prazos concedidos ao país. "O acordo não foi cumprido e o programa está atrasado há meses, principalmente no que diz respeito a privatizações e a arrecadação fiscal. Não é mais o mesmo programa", disse Thomas Wieser, presidente do grupo de trabalho do Eurogrupo, cujos ministros de Finanças se reúnem nesta quinta-feira em Luxemburgo. "A situação econômica do país é ainda pior do que pensávamos", acrescentou Wieser.

Segundo ele, ou se mantêm os objetivos em matéria fiscal através de novas medidas, ou elas não serão cumpridas e então será preciso mais dinheiro. Para Wieser, a negociação precisa ocorrer até julho ou agosto.

Bookmark and Share