Em entrevista à Agência Brasil, os turistas Guilherme Miqueluteti e Artur da Silva Reis, que estão na Terra do Fogo, afirmaram que o clima é de tensão e medo. “Há muitas crianças e idosos aqui. Tem gente que já está sem remédio, e há dificuldades para comprar comida também. Tudo está fechado na cidade”, relatou Reis.
Para Miqueluteti, a esperança está depositada nas negociações do cônsul brasileiro para obter a liberação do grupo. Segundo ele, os líderes da greve não demonstram intenção de pôr fim ao movimento. “Minha esperança é a negociação feita pelo cônsul. Preciso trabalhar na semana que vem, mas já sei que vai ser difícil, até segunda-feira conseguir sair daqui.”
Os dois já perderam as passagens aéreas que tinham comprado para Buenos Aires e depois para Brasília. No caso de Reis, a tensão é ainda maior, porque a família dele é de São José do Vale do Rio Preto, no Rio de Janeiro, uma das áreas que mais sofreram com as últimas enchentes na serra fluminense. “Imagina como eu estou: isolado em um outro país, e minha família em uma cidade que foi destruída”, contou.
A onda de protestos e paralisações na Terra do Fogo começou na última quarta-feira, devido ao anúncio do aumento do preço do gás. Desde então, o comércio foi fechado e as estradas que dão acesso ao local foram bloqueadas. Mais de 300 carros, caminhões e ônibus estão impedidos de sair da região turística. As manifestações bloqueiam o acesso às balsas que ligam, por via marítima, a região ao restante do continente.
Na tarde de desta sexta houve uma série de reuniões entre autoridades federais e locais em busca de um acordo. Também foram chamados os representantes de alguns países, pois há turistas de várias nacionalidades. No grupo de negociadores há, ainda, representantes do chamado conselho de cidadãos, uma vez que existe ameaça de desabastecimento na região.