A Groenlândia rechaçou categoricamente a nova investida do presidente Donald Trump, que ameaçou utilizar a força para anexar o território autônomo dinamarquês. O governo e a oposição da ilha emitiram uma nota conjunta na noite de sexta-feira (9) reafirmando que o futuro do território deve ser decidido exclusivamente pelos groenlandeses.
Trump justifica a pressão por considerar a ilha "crucial" para a segurança nacional dos EUA, visando conter o avanço militar de Rússia e China na região ártica.
Impasse diplomático e risco à Otan
O presidente americano afirmou que pretende obter o controle da ilha "por bem ou por mal", declaração que acendeu o alerta em Copenhague e entre aliados europeus. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, advertiu que uma anexação forçada poderia desmantelar a estrutura da Otan e a segurança global pós-Segunda Guerra Mundial.
Trump reconheceu que a disputa pode forçá-lo a escolher entre manter a integridade da Aliança Atlântica ou o controle territorial do Ártico, gerando uma crise sem precedentes no bloco.
Rejeição popular e influência estrangeira
Nas ruas de Nuuk, o sentimento de rejeição é amplamente majoritário. Uma pesquisa recente aponta que 85% da população se opõe à adesão aos Estados Unidos, citando o trauma do passado colonial.
Enquanto a Casa Branca alega riscos de "inundação" de investimentos chineses e ocupação russa, o governo da Dinamarca refuta esses argumentos, garantindo que o atual acordo de defesa de 1951 já assegura livre acesso às forças americanas após notificação.
A tensão deve ganhar um novo capítulo na próxima semana, quando o secretário de Estado, Marco Rubio, se reunirá com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca e representantes groenlandeses. O encontro tentará mediar a crise diplomática antes que a retórica militar de Trump se transforme em ações concretas que possam isolar Washington de seus aliados europeus mais próximos.