"Olho por olho, dente por dente", disse Mikhail Muhammad, líder do grupo afro-americano, que não tem relação com o antigo partido Panteras Negras e é definido como um grupo separatista negro pela Southern Poverty Law Center, uma instituição que luta contra o racismo e a intolerância nos Estados Unidos.
Segundo o jornal Orlando Sentinel, os ativistas fizeram um chamado para mobilizar 5 mil seguidores para contribuir com a captura de Zimmerman, o vigia voluntário de um bairro de Sanford que cometeu o disparo mortal contra o adolescente Trayvon Martin, enquanto este caminhava desarmado para a casa de uma amiga de seu pai, alegando que agiu em legítima defesa.
A polícia de Sanford disse à AFP neste sábado que estava a par do protesto do grupo NBPP, mas que desconhecia o chamado para capturar Zimmerman. O crime ocorreu há quase um mês, em 26 de fevereiro, e o autor do homicídio não foi preso nem acusado. Revelações de testemunhas e de uma ligação de emergência deram elementos à opinião pública para considerar que se deve realizar uma investigação mais exaustiva e que o crime pode ter sido motivado por preconceito racial.
"Nós não odiamos ninguém, odiamos a injustiça", disse Muhammad, que completou que a sede da organização em Washington (leste) está recebendo doações de empresários negros do entretenimento e atletas devido ao caso. O líder se negou a revelar os nomes dos doadores.
O presidente Barack Obama qualificou o ocorrido de "tragédia", enquanto ocorreram protestos em diversas partes do país. Após a reação do presidente Obama, o advogado de Zimmerman, descrito como um latino branco cuja mãe seria peruana, fez pela primeira vez declarações à imprensa e afirmou que seu cliente não é racista. "Perguntei a ele, 'é racista?', 'tem algo contra os negros?', e ele respondeu que não", disse o advogado Craig Sonner à rede CNN, explicando que se trata de um caso de legítima defesa, o que está amparado na legislação da Flórida.