No entanto, a pena máxima na Guatemala é de 50 anos, de acordo com o código penal. "Este tribunal, por unanimidade, declara os réus autores dos assassinatos, e determina a pena de 30 anos de prisão para cada uma das pessoas mortas, totalizando 6.030 anos". A corte condena ainda cada um dos réus a mais 30 anos de prisão por "crimes contra a humanidade cometidos contra a segurança do Estado".
A sentença ressalta que no massacre os militares "riscaram do mapa" a aldeia de Dos Erres. Os militares condenados são o tenente Carlos Antonio Carías e seus subordinados Manuel Pop, Reyes Collin e Daniel Martínez, que integravam a força de elite "Kaibil" do Exército. A corte destaca que entre as vítimas havia mulheres grávidas, crianças, idosos e homens adultos, e que apenas algumas crianças escaparam do massacre.
O massacre de Dos Erres ocorreu durante a ditadura do general Efraín Ríos Montt (1982-1983), quando o Exército procurava 40 fuzis roubados por um grupo guerrilheiro em outubro de 1982. Os quatro militares integravam um grupo de 40 homens da unidade de elite "Kaibil" que torturaram e violentaram vários moradores de Dos Erres antes de cometer os assassinatos.
Estão detidos à espera de julgamento os militares Pedro Pimentel (recém-deportado dos Estados Unidos), Gilberto Jordán, Santos López e Jorge Vinicio Sosa. Outros dois envolvidos já morreram, oito estão foragidos e os demais não foram identificados.