A campanha para as eleições de domingo na Guatemala chegou ao fim nesta sexta-feira, com o ex-presidente Otto Pérez, que renunciou por acusações de corrupção, preso. Perez ficou detido à espera de que um juiz decida se o acusará formalmente ou não. Uma audiência para determinar se será processado foi suspensa pelo juiz Miguel Angel Gálvez, que adiou sua decisão para terça-feira. O ex-presidente deverá ficar em prisão provisória no quartel militar de Matamoros, na capital guatemalteca.
"Sinto-me triste", disse Pérez ao sair da audiência de mais de cinco horas, ao ser perguntado por jornalistas como seria passar outros três dias preso, depois de ser enviado na quinta-feira para o quartel. A prisão impedirá Pérez de votar nas eleições de domingo, nas quais serão escolhidos o presidente, 158 deputados, 338 prefeitos e 20 representantes do Parlamento centro-americano.
General da reserva de 64 anos, Pérez contou com seu histórico como militar durante a guerra civil da Guatemala (1960-1996) e como chefe de inteligência para se defender das acusações apresentadas pela Promotoria de que comandaria uma rede que cobrava propina para sonegar impostos alfandegários. O esquema de cobrança de subornos para a sonegação de impostos veio à tona em abril passado através do Ministério Público e da comissão da ONU contra a impunidade na Guatemala (CICIG), e provocou manifestações populares pedindo a renúncia de Pérez e de sua vice-presidente, Roxana Baldetti, que deixou o cargo em maio.
Durante a audiência desta sexta-feira, transmitida por vários canais de TV, Pérez afirmou que em junho de 1993, quando era chefe de inteligência militar, chefiou uma operação que permitiu a captura do narcotraficante Joaquín Chapo Guzmán. Ele destacou que, naquele momento, Guzmán e seu pessoal ofereceram uma recompensa em troca de sua liberdade, uma quantia muito superior ao dinheiro que, segundo a Promotoria, recebeu do esquema de corrupção.
Segundo a Promotoria, a rede de corrupção recebeu propinas equivalentes a 3,8 milhões de dólares, dos quais 800 mil dólares teriam ficado com Pérez. "Eu, senhor juiz, não vou por meu sacrifício e dignidade em jogo nem por 800 mil dólares nem por nenhuma quantia. O dinheiro que poderia ter recebido no momento da captura (de Guzmán) era 10 vezes mais que isso e não o aceitei".
Guatemala encerra campanha eleitoral com ex-presidente preso por corrupção
Otto Pérez deverá ficar detido de forma provisória na capital guatemalteca