O guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, advertiu neste sábado que, apesar do acordo nuclear com as grandes potências, o seu país irá continuar a sua política em relação aos Estados Unidos e seu apoio a seus "amigos" na região.
"A nossa política não vai mudar diante do arrogante governo americano", apesar do acordo nuclear, disse Khamenei, cujas declarações foram recebidas pelos tradicionais "morte à América" e "Morte a Israel", lançados pelos fiéis reunidos para a oração do Eid al-Fitr, que marca o fim do mês de jejum do Ramadã.
Os fiéis se reuniram na esplanada da grande mesquita imã Khomeini, no centro de Teerã. "As políticas dos Estados Unidos na região são 180% opostas às da República Islâmica do Irã", ressaltou. "Já indiquei muitas vezes que não temos diálogo com os Estados Unidos sobre questões internacionais, regionais ou bilaterais. Às vezes, como no caso nuclear, negociamos com os Estados Unidos com base em nossos interesses", frisou.
Pouco depois, ele acrescentou aos líderes políticos e militares do país que "o Irã não confia nos Estados Unidos porque os políticos americanos não são sinceros". O Irã e as potências do grupo 5+1 (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha) concluíram em 14 de julho um acordo final sobre o programa nuclear iraniano, após mais de 22 meses de intensas negociações.
O Parlamento do Irã e o Congresso dos Estados Unidos devem, de fato, aprovar o acordo em vigor. Neste contexto, o presidente americano, Barack Obama, volrou a rejeitar as críticas do Congresso americano, afirmando que sem este acordo histórico haveria o risco de uma "outra guerra nesta região volátil".
O líder iraniano voltou a elogiar o trabalho dos negociadores nucleares, que "trabalharam duro". "Se o acordo for aprovado ou não dentro do processo legal fixado, eles merecem uma recompensa", disse Khamenei, insistindo que o texto do acordo deve ainda obter a aprovação legal. Uma resolução também deve ser adotada na segunda-feira pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para validar o texto que proíbe qualquer atividade relacionada a mísseis balísticos com capacidade nuclear por oito anos.
Pela primeira vez, um oficial militar iraniano, o general Mohammad Ali Jafari, chefe da Guarda Revolucionária, falou de "preocupações, em especial sobre a resolução" (do Conselho de Segurança), sem outros detalhes. Várias autoridades iranianas já declararam que o Irã não aceitará quaisquer restrições ao seu programa de mísseis balísticos. Arma atômica proibida pelo CorãoKhamenei também ressaltou que o acordo nuclear não vai mudar a política do Irã a nível regional. "A República Islâmica do Irã não vai desistir de apoiar seus amigos na região, os povos oprimidos da Palestina, do Iêmen, os povos e os governos da Síria e do Iraque, o povo oprimido do Bahrein e os combatentes da resistência no Líbano e na Palestina (...)", garantiu.
O Irã apoia os governos do Iraque e da Síria, enviando conselheiros militares para lutar contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI), que tomou grandes territórios nestes dois países. Teerã também apoia os rebeldes huthis no Iêmen, combatidos pela Arábia Saudita, além dos opositores no Bahrein contra a dinastia governante sunita que é apoiada por Riad. Também apoia o Hezbollah libanês e grupos islâmicos palestinianos (Hamas e Jihad Islâmica).
O líder iraniano, que é também o chefe das forças armadas, também ressaltou a determinação de seu país em preservar as suas capacidades militares. "Quanto à manutenção das capacidades militares e de defesa, especialmente num contexto de ameaça criado pelos inimigos, a República Islâmica nunca aceitará exigências excessivas dos inimigos", acrescentou.
Mas ele insistiu novamente sobre a proibição de armas atômicas pela religião. "Por ordem do Corão e da sharia islâmica (lei islâmica), consideramos a produção, posse e uso de armas nucleares um haram (proibido pela religião) e isso não tem nada a ver com as negociações" , declarou o aiatolá Khamenei, que emitiu no passado uma fatwa contra qualquer uso de tais armas.
Guia supremo iraniano garante que manterá política contra a "arrogância" americana
Ali Khamenei advertiu que apesar do acordo nuclear, seu país continuará com apoiando seus "amigos" na região