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Há "chance muito boa" de acordo de livre comércio com o Mercosul, diz Juncker

Presidente da Comissão Europeia discursou em Estrasburgo, na França

Declaração foi dada durante seu discurso do Estado da União Europeia em Estrasburgo, na França
Declaração foi dada durante seu discurso do Estado da União Europeia em Estrasburgo, na França Foto : Patrick Hertzog / AFP / CP
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou nesta quarta-feira que há "uma chance muito boa" de que a União Europeia feche um acordo de livre-comércio com o México e também com o Mercosul, grupo
formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A declaração foi dada durante seu discurso do Estado da União Europeia em Estrasburgo, na França.

Funcionários da UE mantêm diálogos para atualizar um acordo de livre-comércio de 17 anos com o México e também para fechar um acordo com o Mercosul. Em sua fala, Juncker também defendeu a expansão dos vínculos econômicos da UE com a região da Ásia/Pacífico. Ele propôs o início de diálogos por acordos de livre-comércio com a Austrália e a Nova Zelândia e a conclusão de uma série de acordos comerciais até o fim de 2019, quando seu mandato acaba.

"A Europa sempre tem sido um espaço econômico atraente", disse Juncker. "Mas desde o ano passado eu vejo parceiros pelo mundo batendo à nossa porta para assinar acordos comerciais conosco", garantiu. A UE busca também marcar posição em contraponto às políticas protecionistas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em julho, Bruxelas e Tóquio chegaram a um acordo político em relação a um acordo comercial abrangente.

Juncker disse também desejar um reforço nas defesas comerciais da UE, o que incluiria a avaliação de investimentos estrangeiros - essa política é voltada a proteger ativos e companhias da Europa diante da forte demanda por aquisições liderada pela China. França, Alemanha e Itália têm defendido o reforço nessas defesas, mas outros membros mostram-se contrários.

"Nós não somos partidários ingênuos do livre comércio. A Europa precisa defender seus interesses estratégicos", afirmou Juncker. "A Europa é aberta ao comércio, sim, mas precisa haver reciprocidade." A autoridade também citou medidas para reforçar a segurança do bloco nos próximos meses. Ele propôs a criação de uma unidade de inteligência europeia que iria compartilhar automaticamente informações. Além disso, a promotoria da UE deve ser capaz de atuar em crimes de terrorismo transfronteiriços. Todas as propostas precisam ser avalizadas pelos governos dos países e pelo Parlamento Europeu.

Juncker buscou responder ao crescente descontentamento dentro do bloco entre os países ex-comunistas, ao dizer que todos os membros são livres, iguais e sujeitos ao Estado de Direito. Ao fazer isso, aparentemente rebateu pedidos de alguns governos de uma Europa com "várias velocidades", na qual alguns países almejam níveis diferentes de integração.

O presidente do braço executivo da UE renovou os pedidos para integrar os blocos mais novos da zona do euro, na área de livre trânsito da UE e em sua união bancária, propondo novos financiamentos e assistência para isso. Vários países, entre eles Hungria e Polônia, já poderiam entrar no euro, mas esse passo ainda não foi dado.

Juncker disse que a UE precisa continuar a crescer no oeste dos Bálcãs, onde avançam as discussões com Sérvia e Montenegro. Mas, em uma mostra de que continuam as tensões com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que a entrada da Turquia está fora da agenda no futuro previsível e acusou Ancara de provocar a UE a encerrar o diálogo para a entrada.

O presidente da Comissão Europeia mal mencionou as negociações para a saída do Reino Unido do bloco, ressaltando que a decisão foi tomada pelo país e que o bloco precisa se concentrar em moldar seu futuro comum. Ele disse que a saída do Reino Unido seria "um momento trágico da nossa história" e advertiu: "Nós sempre lamentaremos isso. E eu acho que você vai se lamentar também em breve", disse, referindo-se a Nigel Farage, ex-líder do Partido UK Independence que trabalhou pelo "Brexit".

Juncker ainda pediu a realização de uma cúpula dos 27 países restantes da UE em 30 de março de 2019, o dia seguinte à data prevista para o Brexit, para a tomada de decisões sobre importantes propostas para o futuro do bloco.