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Haia aprova independência de Kosovo

Corte Internacional de Justiça considera legal a proclamação e Sérvia tentará reverter situação na ONU

Albaneses festejam aprovação da independência de kosovo
Albaneses festejam aprovação da independência de kosovo Foto : Laura Boushnak /AFP / CP
Belgrado aposta agora na Assembleia Geral das Nações Unidas para defender sua causa, após o revés sofrido nesta quinta-feira na Corte Internacional de Justiça (CIJ), que considerou legal a proclamação da independência de Kosovo.
O presidente sérvio, Boris Tadic, disse na noite desta quinta-feira que a decisão da Corte de Haia não mudará em nada a posição de Belgrado e que a Sérvia "jamais" reconhecerá a independência de Kosovo, que considera uma de suas províncias.

O revés diplomático foi ainda maior porque as autoridades pró-europeias de Belgrado apostavam em uma decisão da CIJ para enfrentar a proclamação da independência de Kosovo, realizada no dia 17 de fevereiro de 2008. Após intensos esforços diplomáticos, Belgrado obteve da Assembleia Geral da ONU, em outubro de 2008, que a CIJ se pronunciasse sobre a legalidade ou não da proclamação de Kosovo. Desde então, a Sérvia não economizou esforços para impedir que a comunidade internacional reconhecesse a independência de Kosovo.

Até hoje, 69 países se somaram à lista do reconhecimento da independência. Já as autoridades de Kosovo festejaram os desdobramentos da decisão da CIJ, com o reconhecimento de mais países e a perspectiva de integração de Kosovo à União Europeia, Otan e ONU.

A decisão da CIJ reduz a margem de manobra da Sérvia para elaborar seu projeto de resolução junto à Assembleia Geral. Os kosovares não querem nem falar de negociações, especialmente sobre sua independência. Além de um revés diplomático, a decisão da CIJ constitui um golpe político, já que reforça a oposição nacionalista contra Tadic.

Dentro da Europa, a situação também vem sendo complicada para a Sérvia, que apresentou em dezembro sua candidatura para entrar na União Europeia (UE). O Bloco europeu ainda não definiu uma posição comum sobre a independência de Kosovo, já que dos 27 Estados membros, cinco não reconhecem a decisão de Pristina: Espanha, Eslováquia, Romênia, Grécia e Chipre.

"A decisão dissipa, por fim, todas as dúvidas que poderiam ter os países que ainda não reconhecem a República de Kosovo", declarou o presidente de Kosovo, Fatmir Sedjiu, instando a Sérvia e seu governo a "renunciarem ao enfoque que tiveram até agora". A população albanesa comemorou a decisão de Haia com carreatas e bandeiradas nas ruas.