O secretário de Segurança Pública do Haiti, Aramick Louis, afirmou nesta sexta-feira que grupos armados estão tomando as ruas de Porto Príncipe e que o governo teme um surto de violência. Milhares de pessoas estão desabrigadas, sem água e sem comida desde a última terça-feira, quando um terremoto devastou parte do país. As autoridades especulam 140 mil vítimas, das quais 40 mil já foram enterradas, a maioria em valas comuns.
Leia a cobertura sobre o terremoto no Haiti
Antes do terremoto, a insegurança já era um dos principais problemas enfrentados pelo Haiti. O país tem um histórico de instabilidade política e convulsão social. Tanto que a pacificação era um dos principais objetivos da Minustah, a missão de paz da ONU comandada pelo Brasil. Ao desembarcar no Rio de Janeiro nesta sexta, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o Brasil está enviando balas de borracha ao país caribenho, já se preparando para eventuais revoltas populares.
Três dias após o desastre, que pôs abaixo metade dos edifícios em Porto Príncipe, segundo a ONU, a população segue acampada pelas ruas da capital, dividindo o espaço com milhares de corpos. O odor já é sentido e teme-se a disseminação de doenças à medida que os cadáveres apodrecem.
Também falta água, comida e energia. Os poucos hospitais que restaram estão saturados e mesmo o grande volume de ajuda internacional que chega ao país ainda não é suficiente para dar o auxilio necessário às vítimas.
Saques às equipes de ajuda
Delfín Antonio Rodríguez, chefe de operações da Defesa Civil dominicana, disse à agência Efe que até mesmo os caminhões das missões de ajuda estão sendo saqueados. "O maior problema é a insegurança. Ontem (quinta-feira) queriam sequestrar alguns de nossos caminhões, hoje quase não conseguimos trabalhar pelo mesmo motivo em algumas áreas. Há saques e pessoas armadas porque este país é muito pobre e as pessoas estão desesperadas."
Rodríguez explicou que os centros médicos estão destruídos ou em colapso e que a cidade precisa de um grande hospital de campanha para atender o enorme número de feridos, mas que na situação atual é impossível.
Na tarde desta sexta, a rede de televisão CNN mostrava imagens estarrecedoras de caminhões transportando centenas de corpos e descarregando os mortos em valas comuns, sem nenhuma identificação ou contagem. Os números são controversos e não há consenso nem mesmo entre as autoridades.
As informações são do R7
Haiti teme surto de violência após tragédia
Diante da miséria, grupos armados estão saqueando equipes de ajuda humanitária