O governo dos Estados Unidos manifestou preocupação com uma suposta "inconsistência" do resultado eleitoral. Já o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, destacou que a contagem dos votos é provisória e existe um processo para contestação.
Mirlande, 70 anos, recebeu 31% dos votos contra 22% de Celestin, segundo os resultados preliminares. Como nenhum candidato alcançou 50% dos votos, o país terá um segundo turno em 16 de janeiro para definir o sucessor do presidente René Preval.
Muitos haitianos denunciaram fraudes a favor de Celestin, o que pode gerar mais protestos violentos no país. O fato de Celestin, aliado do presidente Preval, ter herdado pelo menos 7 mil votos da estrela pop Michel Martelly, aumentou as suspeitas.
Além disso, dados anteriores de 1,6 mil dos 11 mil locais de votação anunciados pelo Conselho Nacional de Observação Eleitoral mostram Mirlande com 30% dos votos, Martelly com 25% e Célestin com 20%.
Muitos protestos foram registrados no país após o anúncio dos resultados. Tiros foram ouvidos nas proximidades da capital Porto Príncipe e barricadas de pneus foram erguidas na cidade. Antes do anúncio dos resultados, analistas estrangeiros haviam pedido calma e as escolas do país já estavam fechadas pelo temor de possíveis incidentes.
"Os resultados são inconsistentes com os publicados pelo Conselho Nacional de Observação Eleitoral e com a apuração dos votos analisadas por vários observadores nacionais e internacionais", afirma uma nota diplomática americana.
O processo eleitoral foi marcado por irregularidades e episódios de violência, em um país afetado por uma epidemia de cólera que já deixou mais de 2 mil mortos e afetado por um terremoto em janeiro que provocou 250 mil mortes. Um relatório do epidemiologista francês Renaud Piarroux afirma que o foco de cólera teve origem no acampamento de soldados nepaleses da ONU, o que a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) nega.