A democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump realizam nesta segunda-feira o último esforço para manter vivas suas aspirações de chegar à Casa Branca, no capítulo final de uma campanha histórica nos Estados Unidos. Depois de pouco mais de um ano de idas e vindas, dramas inesperados e uma série sem precedentes de escândalos de todo tipo, para a ex-secretária de Estado e o polêmico bilionário chegou o momento de colocar todas as cartas sobre a mesa.
O mais recente episódio da longa campanha aconteceu no domingo, quando o FBI informou ao Congresso em uma carta que não pretendia apresentar acusações formais contra Clinton pelo interminável escândalo provocado por seus e-mails enviados de um servidor privado quando era secretária de Estado. O anúncio foi uma tentativa de apagar o incêndio provocado há apenas uma semana pela mesma instituição, quando revelou que investigaria novas mensagens relacionadas a Hillary Clinton mas não incluídas em uma investigação anterior concluída em julho. "Nós nos alegramos de que este assunto tenha sido resolvido", disse a jornalistas Jennifer Palmieri, diretora de comunicação da campanha de Hillary, pouco após a divulgação da decisão da polícia federal americana.
A notícia da reabertura do caso havia caído como uma bomba sobre a campanha de Hillary, que se viu obrigada a passar vários dias dando explicações sobre um escândalo que parecia coisa do passado. Pouco depois do esclarecimento do FBI, a democrata participou de um comício no domingo em Cleveland, Ohio, mas não fez referência ao caso. Os mercados financeiros do mundo, que receberam a reabertura das investigações do FBI com quedas, abriram em alta nesta segunda-feira.
Fim grandioso de campanha
Já o magnata aterrissou na manhã desta segunda-feira em Sarasota (Flórida, sudeste), onde foi recebido por seguidores entusiasmados, na primeira parada de seu último dia de campanha. O republicano, de 70 anos, realizará posteriormente comícios nos estados da Carolina do Norte, Pensilvânia, New Hampshire, antes de terminar sua campanha em Michigan. No domingo, no encerramento de uma agenda frenética, Trump arremeteu contra a classe política em geral e alegou que Hillary enfrentará "investigações por muito, muito tempo", em um longo discurso em Minnesota.
Trump não deixou claro se tinha conhecimento da carta do FBI aos legisladores, mas alertou aos seus eleitores: "Devem entender que este é um sistema cheio de armadilhas e que ela (Hillary) está protegida". Em Cleveland, Hillary Clinton foi apresentada no palanque pelo astro do basquete LeBron James. Em um comício em Manchester, New Hampshire, ela contou com as presenças do cantor James Taylor e de Khizr Khan, pai de um soldado americano morto em combate em 2004 no Iraque e que fez um discurso muito emotivo na convenção nacional do Partido Democrata, em julho.
Para esta segunda-feira, a ex-secretária de Estado, de 69 anos, planeja um grande encerramento de campanha, com paradas até a meia-noite em Pensilvânia, Michigan e Carolina do Norte. Em um de seus comícios ela terá as participações dos músicos Bruce Springteen e Bon Jovi. Mas o melhor está reservado para a noite, quando subirá ao palco com o presidente Barack Obama e sua extraordinariamente popular esposa Michelle, assim como seu marido, o ex-presidente Bill Clinton.
Possivelmente ficará complicado medir o impacto que o final da polêmica sobre os e-mails de Hillary terá em sua campanha, mas as pesquisas deram a Hillary uma vantagem mínima no último fim de semana de campanha. Uma pesquisa realizada pela rede NBC e pelo jornal The Wall Street Journal divulgada no domingo e que inclui os outros dois candidatos minoritários destas eleições atribuiu à democrata uma vantagem de 4% sobre Trump, 44% a 40%.
Hillary e Trump realizam último esforço de campanha nesta segunda
Chegou o momento de colocar todas as cartas sobre a mesa