O presidente francês François Hollande criticou nesta quarta-feira que a comunidade internacional não tenha agido a tempo na Síria para evitar que o extremismo islâmico continue ganhando terreno. Ele fez um discurso dirigido às Forças Armadas, pronunciado a bordo do porta-aviões "Charles De Gaulle". Segundo Hollande, a França estava disposta a intervir há mais de dois anos na Síria, mas não o fez por falta de apoio de outros países. Anunciou também que fará menos cortes do que o previsto para o próximo ano em seus efetivos militares.
As declarações ocorrem uma semana depois dos atentados que deixaram 17 mortos em Paris. Nesta quarta, a organização Al-Qaeda no Iêmen reivindicou o ataque contra a redação da revista satírica francesa Charlie Hebdo. Segundo o grupo, a ação ocorreu por ordem de seu líder Ayman al-Zawahiri para "vingar" o Profeta Maomé.
"Os heróis foram recrutados e agiram; eles prometeram e passaram à ação para a grande satisfação dos muçulmanos", declarou no vídeo postado em um site islamita um dos líderes da Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), Nasser bin Ali al-Anassi. Ele fazia referência aos autores do atentado, os irmãos Kouachi, um dos quais disse pertencer ao grupo pouco depois do ataque em Paris.
A AQPA, que nasceu da fusão dos braços sauditas e iemenita da Al-Qaeda, é considerada por Washington como as filiais mais perigosas da rede extremista. Muito ativa no Iêmen, também se distingue por atentados ou planos de atentados no exterior como a tentativa de explodir um avião em pleno voo no Natal de 2009. "Nós, a Al-Qaeda na Península Arábica, reivindicamos a responsabilidade desta operação como vingança", declarou al-Anassi. "Fomos nós que escolhemos o alvo, financiamos a operação e recrutamos o chefe. A operação foi realizada por ordem de nosso emir, o general Ayman al-Zawahiri, e de acordo com a vontade póstuma de Osama bin Laden".
Al-Anassi também prestou homenagem a Amédy Coulibali, o autor do ataque de sexta-feira contra um mercado kasher de Paris que provocou a morte de quatro judeus. "Foi pela graça de Alá que a operação (contra a Charlie Hebdo) a coincidiu com a dele", indicou. Amédy Coulibali declarou pertencer ao grupo Estado Islâmico (EI), organização rival da Al-Qaeda, e afirmou ter coordenado sua ação com os irmãos Kouachi.
Segundo Hollande, a França estava disposta a intervir há mais de dois anos na Síria, mas não o fez por falta de apoio de outros países. Em seu discurso, Hollande anunciou que a França fará menos cortes do que o previsto para o próximo ano em seus efetivos militares.
Ocorrido uma semana após o ataque contra a Charlie Hebdo, a reivindicação da AQPA coincide com a publicação dos milhões de exemplares da primeira edição pós-ataque da revista satírica. A capa da edição traz uma nova caricatura de Maomé sob o título "Tudo está perdoado".
Hollande critica comunidade internacional por demora ao agir na Síria
Extremismo islâmico continua ganhando terreno no país