O presidente da França, François Hollande, defendeu em discurso no Parlamento nesta segunda-feira uma reforma na constituição francesa para poder agir com veemência contra o que chamou de “terrorismo de guerra”. Hollande ainda pediu ao parlamento que prorrogue por mais 90 dias o estado de emergência no país.
No discurso, François Hollande anunciou que irá se encontrar com o presidente norte-americano Barak Obama e o líder russo Vladimir Putin nos próximos dias para discutir estratégias nas operações na Síria. Ele disse ainda que vai exigir participação da União Europeia no combate ao Estado Islâmico, que reivindicou os atentados da última sexta-feira.
Ele também disse que irá pedir ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução destacando "a vontade comum de lutar contra o terrorismo." Ainda sobre a luta contra o EI, Hollande anunciou que a França irá "intensificar suas operações na Síria", após os ataques realizados domingo à noite contra Raqa, reduto do EI. "O porta-aviões Charles de Gaulle será enviado na quinta-feira ao leste do Mediterrâneo, o que triplicará nossas capacidades de ação. Não haverá hesitação e nenhuma trégua", acrescentou
Os atentados de Paris, que fizeram ao menos 129 mortos e mais de 350 feridos, "foram decididos, planejados na Síria, preparados e organizados na Bélgica e perpetrados em nosso território com a cumplicidade de franceses", detalhou o presidente, enquanto cinco dos sete terroristas já foram identificados.
Face ao trauma desses novos atentados, dez meses após o choque dos atentados contra a revista satírica Charlie Hebdo e a um mercado kosher, o chefe de estado pediu aos franceses "perseverança, união, lucidez, dignidade" após esses "atos de guerra" que fizeram vítimas de 19 nacionalidades.
Sobre ações concretas na França, ele anunciou a criação de cerca de 8,5 mil postos para reforçar as forças de ordem e a administração da justiça. "Nós erradicaremos o terrorismo porque nós estamos comprometidos com a liberdade, com a influência da França no mundo", concluiu o presidente Hollande, muito aplaudido pelos parlamentares, que logo depois entoaram o hino nacional, La Marseillaise. Os atentados de Paris são os mais graves já realizado em solo francês.
Hollande quer reforma da constituição para agir contra “terrorismo de guerra”
Presidente francês encontrará Obama e Putin nos próximos dias