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Hospital de Israel atende refugiados de guerra sírios

Dentro do Ziv Medical Center, política e conflito são ignorados

Dentro do Ziv Medical Center, política e conflitos são ignorados
Dentro do Ziv Medical Center, política e conflitos são ignorados Foto : Ziv Medical Center / Divulgação CP
Israel tenta dar a resposta aos que acusam o país de de usar a força em excesso e atingir alvos civis na Faixa de Gaza. O instrumento é a ajuda médica e humanitária no lado nordeste da fronteira. O Ziv Medical Center, localizado em Zefat, também conhecida como Safed, na Galileia, atende desde fevereiro de 2013 a vítimas da guerra na Síria, cuja fronteira fica distante 25 quilômetros do hospital. 

Conforme o diretor do Departamento de Radiologia da instituição, o brasileiro nascido em Curitiba e há 35 anos em Israel, Marcelo Daitzschman, o número de pacientes atendidos era de 430 sírios em dezembro, dos quais os que mais exigem cuidados são os de crianças que chegam sozinhas, com um parente, no lombo de um burro ou trazidas por soldados das forças da ONU. "Eles chegam com politraumatismos, estilhaços de bombas e por vezes com mais de um membro para recuperar, como foi o caso de uma menina de oito anos que quase teve de amputar a perna, mas fizemos várias cirurgias e recuperamos com técnica de fixação externa do professor Alexander Lerner", revela Daitzchman. Dos sírios que chegaram ao hospital, apenas sete morreram em complicações dos múltiplos ferimentos.

Lerner é um médico ortopedista, judeu russo, um dos maiores especialistas na técnica de fixação externa dos membros inferiores no mundo, convidado a dar palestras em vários locais, inclusive em congressos brasileiros como o de Tiradentes (MG). "O tempo médio de permanência de cada um dos pacientes é 12,4 dias. Depois, eles voltam para casa e perdemos o contato. Esta mesma menina de oito anos desenhou para mim em um bilhete em árabe, finalizando com os dizeres: eu amo você. Somos médicos e as questões políticas não nos interessam", observa Lerner.

O médico brasileiro lembrou a situação política, pois o prefeito de Zefat, Ilan Shohat foi para os meios de comunicação criticar o atendimento aos inimigos de Israel, opinião que é compartilhada por parte da população da cidade. "Uma vítima de guerra não é inimigo, é uma vida", declara. O hospital é público e o atendimento é todo gratuito pago pelo governo de Israel. Após o atendimento, os pacientes voltam para a Síria. Com estes 430 pacientes, foram gastos 3 milhões de dólares.

"A gente dá as receitas para o tratamento e inclusive o aparelho de fixação externa. Esperamos que eles encontrem um médico que dê sequência ao tratamento", declara Daitzschman. O médico curitibano revela que o sonho é poder compartilhar esta experiência de tratamento de vítimas de guerra com os colegas brasileiros. "Esperamos que haja algum programa do gênero ou intercâmbio para que possamos compartilhar estes ensinamentos que seguem o nosso juramento de Hipócrates", define.