Os houthis do Iêmen lançaram neste sábado novos ataques contra a Arábia Saudita e Áden, sede provisória do governo iemenita reconhecido internacionalmente, depois de acusarem o reino saudita de bombardeios que teriam deixado 17 mortos.
A Arábia Saudita e o governo iemenita foram alvos de ataques dos houthis nas últimas semanas, depois que uma trégua de vários anos foi rompida durante o verão do Hemisfério Norte, transferindo parte do foco da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, iniciada em fevereiro.
Nas últimas 24 horas, os combatentes houthis afirmaram ter atacado três aeroportos sauditas, entre eles o aeroporto internacional da capital, Riad, além de instalações de energia, um oleoduto e uma base aérea.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou que o grupo lançou mísseis contra o "Aeroporto Internacional Rei Khalid de Riade, capital do inimigo saudita, em duas fases", assim como contra os aeroportos de Dammam, no leste do reino, e Najrã, no sul. No entanto, o aeroporto de Riade indicou no X neste sábado que retomará os voos nacionais e internacionais "a partir de domingo", após ter sido fechado depois de ser alvo de vários ataques este mês.
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O grupo também afirmou ter atacado a base aérea de Khamis Mushait, no sul do país, além de "estações de bombeamento de petróleo bruto e o oleoduto de petróleo bruto que conecta o leste ao oeste". A Defesa Civil saudita informou ainda sobre a queda de destroços de projéteis nas regiões de Meca e Medina, após interceptar dois mísseis houthis neste sábado.
Os houthis negaram ter mirado essas duas cidades, as mais sagradas do islamismo, e classificaram a acusação saudita como uma "grande mentira". Os rebeldes também dispararam contra a cidade de Áden, sede provisória do governo apoiado pela Arábia Saudita, e afirmaram que seus alvos eram uma base naval e um acampamento militar sob supervisão saudita.
As autoridades informaram que a sede da Guarda Costeira, outro de seus edifícios e o aeroporto de Áden estavam entre os alvos atingidos. As novas reivindicações de ataques ocorreram depois que a emissora houthi Al Masirah acusou a Arábia Saudita de realizar vários bombardeios no Iêmen que deixaram mais de uma dezena de mortos. Riade não reivindicou essas supostas operações.
Segundo o canal, um ataque contra uma residência em Saná causou pelo menos quatro mortes; outro, contra uma residência destinada a trabalhadores de uma fábrica de cimento, deixou oito mortos; e um terceiro bombardeio nos arredores de Hodeida matou cinco integrantes de uma mesma família. A guerra civil iemenita, que opõe os houthis, apoiados pelo Irã, ao governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, permaneceu praticamente congelada desde a trégua de 2022. No entanto, voltou a se intensificar em julho, no contexto da crise regional no Oriente Médio.
Horas antes, a agência saudita de defesa civil divulgou alertas sobre um "perigo potencial" para quatro regiões ocidentais do reino, incluindo Taif e Yanbu, além de Meca, a cidade mais sagrada do islamismo. Os alertas foram suspensos poucos minutos depois. A agência orientou os moradores a se dirigirem ao "lugar seguro mais próximo" e reiterou a proibição legal de divulgar imagens ou informações relacionadas às operações de interceptação de mísseis e drones.
A Arábia Saudita foi alvo de ataques dos houthis nas últimas semanas, no contexto da retomada da guerra civil iemenita.
Grupo atacou infraestruturas petrolíferas e aeroportos sauditas
Yanbu é um importante centro de exportação de petróleo na costa do Mar Vermelho, que permitiu a Riade contornar, em grande medida, o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz para suas exportações de petróleo bruto.
Um ataque contra o aeroporto de Riade, no início deste mês, deixou 13 mortos e dezenas de feridos. Nesta semana, os Estados Unidos também ordenaram a saída do pessoal não essencial de sua embaixada e de seus familiares da Arábia Saudita devido à ameaça houthi.
Riade lidera uma coalizão militar que interveio pela primeira vez no conflito iemenita em 2015, uma guerra que devastou o país e provocou uma das piores crises humanitárias do mundo. A forte escalada no Iêmen, marcada pela tomada de toda a costa do Mar Vermelho pelos houthis em uma ofensiva-relâmpago no mês passado, contribuiu para uma maior desestabilização regional e provoca perturbações nos mercados petrolíferos.
O Egito sugeriu o envio de tropas para ajudar a defender a Arábia Saudita, enquanto o Reino Unido e a França ofereceram forças para proteger o reino do Golfo.